O Ibovespa fechou em alta de 1,76%, aos 138.963,11 pontos, renovando sua máxima histórica nominal em linha com o alívio global trazido pelos dados de inflação nos Estados Unidos e pela melhora no humor internacional. O índice chegou a bater os 139.418 pontos na máxima do dia.
Lá fora, o ambiente também foi positivo: o Nasdaq subiu 1,61%, o S&P 500 avançou 0,72%, enquanto o Dow Jones recuou 0,64%, pressionado por perdas em ações de saúde.
A ata do Copom reforçou a sinalização de fim do ciclo de alta da Selic, atualmente em 14,75%, e o dólar acompanhou o movimento global de desvalorização, caindo 1,32% e fechando cotado a R$ 5,61.
Ibovespa: bluechips, commodities e leitura de ciclo encerrado impulsionam nova máxima
O Ibovespa subiu 1,76% nesta terça-feira, encerrando o pregão aos 138.963,11 pontos, na maior alta diária desde 8 de maio.
O índice renovou a máxima histórica intradiária aos 139.418 pontos, apoiado por fluxo comprador em bluechips, valorização das commodities e leitura de transição na política monetária.
O desempenho foi sustentado por ações de peso, com destaque para Vale ON (VALE3), que avançou 1,64%, acompanhando a alta de 1,06% no minério de ferro em Dalian, e Petrobras PN (PETR4), que subiu 2,39%, impulsionada pela valorização do Brent, cotado a US$ 66,57 (+2,48%) após o anúncio de cooperação entre EUA e Arábia Saudita.
O setor financeiro também contribuiu. Itaú Unibanco PN (ITUB4) registrou alta de 1,23%, B3 ON (B3SA3) ganhou 4,11% e Itaúsa PN (ITSA4) subiu 1,41%, com fluxo favorável para ações de valor e interpretação positiva da ata do Copom, que reforçou a sinalização de Selic estável em patamar contracionista.
Entre as maiores altas percentuais do dia, Hapvida ON (HAPV3) saltou 11,30%, após lucro ajustado de R$ 416,4 milhões, superando expectativas. Azul PN (AZUL4) subiu 10,85%, e CVC ON (CVCB3) avançou 9,29%, em movimento de alívio técnico e recuperação de curto prazo.
Na ponta oposta, Yduqs ON (YDUQ3) recuou 8,48%, após apresentar queda de 11,4% no lucro ajustado do 1T25. JBS ON (JBSS3) (-2,48%) e Brava Energia (BRAV3) (-2,35%) também figuraram entre os destaques negativos, pressionadas por resultados abaixo das expectativas.
Wall Street sobe com CPI e acordo de investimentos com a Arábia Saudita
Os índices em Nova York encerraram a terça-feira, relativamente, em alta, sustentados por dados de inflação abaixo do esperado e pela assinatura de um acordo bilionário entre Estados Unidos e Arábia Saudita (600 bilhões de dólares), voltado à cooperação em infraestrutura energética e exploração de commodities.
O CPI americano subiu 0,2% em abril, abaixo da projeção de 0,3%, reforçando apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar o corte de juros ainda em 2025. O núcleo da inflação permaneceu estável em 2,8% na base anual, também abaixo do consenso.
- Nasdaq: +1,61% (+301,74 pontos), aos 19.010,08 pontos
- S&P 500: +0,72% (+42,36 pontos), aos 5.886,55 pontos
- Dow Jones: -0,64% (-269,67 pontos), aos 42.140,43 pontos
Além da inflação, o mercado repercutiu positivamente o alívio tarifário entre EUA e China, com redução das alíquotas sobre importações por 90 dias.
O ambiente mais construtivo favoreceu setores cíclicos, enquanto o petróleo ganhou tração diante das perspectivas de cooperação saudita-americana.
Entre os destaques setoriais, tecnologia, semicondutores e transportes lideraram os ganhos. Na contramão, o setor de saúde foi pressionado pela forte queda da UnitedHealth (UNH), que despencou 17,8% após suspender guidance e anunciar a saída de seu CEO.
Nos juros, o rendimento do Treasury de 10 anos avançou 4,2 pontos-base, a 4,499%, maior patamar em quase três meses.
Juros e câmbio: ata do Copom reforça fim do ciclo e dólar acompanha alívio global
Os juros futuros fecharam o dia sem direção única. As taxas de curto prazo recuaram discretamente, enquanto os prazos médios e longos subiram, refletindo uma combinação entre a leitura da ata do Copom e o cenário externo.
O documento divulgado nesta terça reforçou a percepção de que a Selic, hoje em 14,75%, atingiu um nível suficientemente alto para conter a inflação.
O Banco Central indicou que os efeitos da política monetária já estão sendo sentidos, com impactos sobre o crédito, a atividade econômica e o mercado de trabalho.
No câmbio, o dólar seguiu o movimento global de queda e encerrou o dia em baixa de 1,32%, cotado a R$ 5,61 no mercado à vista. No contrato futuro, a moeda americana recuou 1,14%, para R$ 5,630.
A desvalorização do dólar refletiu o alívio trazido pelo CPI dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado e reforçou a expectativa de que o Federal Reserve possa iniciar o corte de juros ainda este ano.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas, caiu 0,80%, aos 100,96 pontos.
Commodities: petróleo dispara, minério sustenta alta e ouro recua
O petróleo Brent subiu 2,48%, cotado a US$ 66,57, impulsionado pelo otimismo com o acordo bilateral entre EUA e Arábia Saudita e pela possibilidade de restrições a exportações iranianas, mencionadas por Donald Trump em discurso à tarde.
O minério de ferro em Dalian subiu 1,06%, com suporte da trégua comercial entre EUA e China e renovadas apostas em estímulos industriais na segunda metade do ano.
Já o ouro recuou mais de 3%, cotado a US$ 3.216,80 por onça-troy, em meio à queda da aversão ao risco e realocação de portfólio para ativos de risco.
Fechamento de Mercado | 13-05 | Máxima histórica com fôlego externo e leitura de transição monetária
O Ibovespa renovou máxima histórica em uma sessão marcada por alta correlação com o exterior, valorização das commodities e reforço à tese de fim do ciclo de alta da Selic.
O rali foi apoiado por fundamentos: inflação sob controle, ata do Copom em linha com o esperado e fluxo comprador em papeis de valor.
A dinâmica de mercado segue construtiva no curto prazo, mas a atenção se mantém voltada para os próximos indicadores de inflação e atividade, além do andamento da pauta fiscal no Congresso.
Com os dados do PIB dos EUA, a produção industrial brasileira e os últimos balanços trimestrais no radar, o investidor deve seguir seletivo, embora o tom predominante siga positivo, ainda que com menos espaço para euforia.