O principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão desta sexta-feira (30) em queda de 1,09%, aos 137.026,62 pontos, pressionado por um ambiente de maior cautela nos mercados.
O volume negociado na B3 somou R$ 31,1 bilhões, acima da média dos últimos 50 pregões, de R$ 17,6 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou recuo de 1,08%, mas encerrou maio com alta de 1,45%.
Em Nova York, os principais índices acionários fecharam o dia sem direção única, mas com saldo positivo expressivo no mês. O Nasdaq avançou 9,56%, o S&P 500 subiu 6,15% e o Dow Jones teve ganho de 3,94%.
No foco dos investidores estiveram os dados do PIB brasileiro do primeiro trimestre, que mostraram crescimento de 1,4% sobre o período anterior e reforçaram a percepção de uma economia ainda aquecida, o que reduziu o espaço para cortes adicionais na taxa Selic ao longo do ano.
No exterior, as atenções se voltaram para a leitura do índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE), que veio em linha com as expectativas e manteve as apostas em estabilidade nos juros americanos até setembro.
O noticiário internacional também foi marcado por novas acusações do governo dos Estados Unidos contra a China, reacendendo a tensão em torno da política comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Ibovespa: queda é puxada por exportadoras e blue chips, enquanto Vamos e Yduqs lideram altas
O Ibovespa encerrou o pregão aos 137.026,62 pontos, em queda de 1,09%, pressionado por perdas em ações de peso no índice, especialmente de exportadoras e grandes empresas da bolsa.
Vale ON (VALE3) recuou 2,53%, Petrobras PN (PETR4) caiu 1,09% e Weg ON (WEGE3) teve baixa de 3,79%.
Também entre as maiores quedas percentuais do dia estiveram Braskem PNA (BRKM5) -5,90%, Metalúrgica Gerdau PN (GOAU4) -4,35% e Klabin Units (KLBN11) -4,29%.
Na ponta positiva, Vamos ON (VAMO3) avançou 4,63%, Azzas ON (AZZAS3) subiu 3,71% e Yduqs ON (YDUQ3) teve alta de 3,26%.
As ações da Azul PN (AZUL4) repercutiram o último dia da companhia nos índices da B3, após o pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos.
A NYSE suspendeu a negociação de seus ADRs, enquanto a empresa obteve autorização judicial para levantar até US$ 250 milhões em financiamento emergencial.
PIB avança e curva local volta a abrir com pressão nos vértices curtos
Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com os três meses anteriores.
O resultado veio em linha com o esperado e confirmou a continuidade de um ritmo sólido de atividade econômica.
Pela ótica da produção, o avanço foi liderado pela Agropecuária, com contribuição relevante do setor de Serviços. Já a Indústria praticamente não variou no período.
A leitura de crescimento consistente, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados, levou o mercado a revisar as apostas sobre o início de um novo ciclo de cortes da taxa Selic.
A demanda interna mostrou força, com destaque para a retomada do consumo das famílias, que devolveu a queda registrada no final de 2024.
A reprecificação das apostas se refletiu na curva de juros, com os vértices mais curtos registrando alta de até 9 pontos-base ao longo da sessão.
O movimento também foi influenciado por dados fiscais divulgados nesta sexta. O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 14,1 bilhões em abril, abaixo da expectativa de R$ 18,8 bilhões. A dívida bruta subiu para 76,2% do PIB, enquanto a dívida líquida avançou a 61,7%.
Wall Street fecha mista com tensão geopolítica, mas acumula forte alta no mês
Os principais índices acionários de Nova York encerraram a sexta-feira sem direção única, em sessão volátil marcada por tensões comerciais renovadas e indicadores macroeconômicos relevantes.
- Dow Jones: +0,13%, aos 42.270,07 pontos
- S&P 500: -0,01%, aos 5.911,69 pontos
- Nasdaq: -0,32%, aos 19.113,77 pontos
Apesar do pregão instável ao fim da semana, os três benchmarks encerraram maio com ganhos consistentes, liderados pelo Nasdaq.
No centro do noticiário, esteve a nova rodada de declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que a China “violou completamente” o acordo comercial firmado semanas atrás. A retórica foi acompanhada por representantes do governo americano.
Inflação dos EUA: PCE em linha mantém apostas sobre política monetária
Do lado macroeconômico, o índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE), principal métrica de inflação acompanhada pelo Federal Reserve, avançou 0,1% em abril, após estabilidade em março.
No acumulado de 12 meses, a inflação cheia desacelerou de 2,3% para 2,1%, enquanto o núcleo do índice que exclui alimentos e energia, também subiu 0,1% no mês, acumulando alta anual de 2,5%.
Os dados vieram exatamente em linha com as projeções dos economistas. O mercado seguiu precificando manutenção dos juros nos próximos meses e possibilidade de até dois cortes no segundo semestre.
Além disso, a renda pessoal cresceu 0,8% no mês e os gastos com consumo avançaram 0,2%, ambos indicando continuidade do consumo doméstico.
O índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan também subiu na leitura final de maio.
Commodities: petróleo recua antes da Opep+, minério cai com baixa demanda por aço
O petróleo Brent encerrou o dia em baixa de 0,96%, cotado a US$ 62,74 por barril, em meio à expectativa pela reunião da Opep+ no fim de semana.
As declarações do ex-presidente Donald Trump sobre um possível acordo com o Irã também influenciaram os preços, diante da perspectiva de afrouxamento nas sanções ao petróleo iraniano.
O minério de ferro recuou 0,43% na bolsa de Dalian e acumulou queda na semana. Os contratos foram pressionados pela redução da demanda por aço na China.
Câmbio e juros: dólar avança, DXY fecha estável e curva americana recua após PCE
No mercado de câmbio, o dólar à vista subiu 0,93%, fechando a R$ 5,7195, enquanto o contrato futuro para julho avançou 0,85%, a R$ 5,754.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, subiu 0,05%, a 99,329 pontos, com alta semanal de 0,3%.
Nos EUA, os Treasuries recuaram após os dados do PCE, a T-note de 2 anos fechou a 3,897%, a T-note de 10 anos caiu para 4,400% e o T-Bond de 30 anos encerrou em 4,922%.
Fechamento de Mercado | 30-05 | PIB forte afasta cortes, tensão comercial pesa e Ibovespa recua na semana
O Ibovespa encerrou maio com ganho de 1,45%, mas devolveu parte dos avanços na última sessão, em meio à percepção de juros elevados por mais tempo e maior aversão ao risco global.
Na reta final da semana, o foco recaiu sobre a reunião da Opep+, marcada para domingo (1), com expectativa de decisões sobre a política de produção.
No radar da próxima semana, destaque para dados de emprego nos EUA e eventuais desdobramentos das tensões comerciais entre Washington e Pequim.