O último pregão de abril foi marcado por uma avalanche de dados econômicos e balanços corporativos, tanto no Brasil quanto no exterior, que influenciaram o desempenho dos mercados financeiros.​
O dólar interrompeu sua sequência de oito quedas consecutivas e voltou a subir, impulsionado por ajustes de posição relacionados à Ptax e pelo ambiente externo mais cauteloso, com desaceleração nos EUA e indicadores decepcionantes na China.
No Brasil, o Ibovespa oscilou entre perdas e ganhos, mas acabou fechando praticamente estável, pressionado pelas quedas de grandes exportadoras como Vale e Petrobras, enquanto os bancos sustentaram parte dos ganhos e evitaram uma realização mais intensa.
Já nos Estados Unidos, as bolsas fecharam mistas, com investidores digerindo os resultados abaixo do esperado do PIB e do mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que avaliaram os números robustos da Microsoft, puxados pela divisão de nuvem e inteligência artificial.
Ibovespa: Estabilidade após sequência de altas
O Ibovespa encerrou o dia praticamente estável, com uma leve queda de 0,02%, aos 135.066,97 pontos, interrompendo uma sequência de sete pregões consecutivos de alta.
No mês, o Ãndice acumulou uma valorização de 3,69%, impulsionado principalmente pelos setores bancário e elétrico.​
As ações da Vale (VALE3) recuaram 1,82%, pressionadas por preocupações com a demanda chinesa por minério de ferro. A Petrobras (PETR4) também teve queda de 1,87%, acompanhando o recuo dos preços do petróleo no mercado internacional.
Por outro lado, os bancos se destacaram positivamente: Santander (SANB11) subiu 3,94% após divulgar resultados acima das expectativas, e Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,5%.​
Dólar: Alta após oito quedas consecutivas
O dólar comercial fechou em alta de 0,83%, cotado a R$ 5,6763, interrompendo uma sequência de oito sessões consecutivas de queda.
A valorização da moeda americana foi influenciada por dados econômicos fracos nos Estados Unidos e na China, além de uma disputa em torno da Ptax de fim de mês.​
No mês de abril, o dólar acumulou uma queda de 0,54% frente ao real.​
Dados Econômicos: PIB fraco nos EUA e pressão global
A economia dos Estados Unidos registrou uma contração de 0,3% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados preliminares divulgados pelo Departamento de Comércio.
Esse foi o primeiro recuo desde o segundo trimestre de 2022, refletindo o impacto de tarifas comerciais e um aumento significativo nas importações. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava um crescimento de 0,3%.​
Além disso, o núcleo do Ãndice de preços de gastos com consumo (PCE) nos EUA ficou estável em março, dentro das expectativas, enquanto a criação de vagas no setor privado desacelerou mais do que o esperado em abril.​
China: PMI abaixo do esperado aumenta pressão sobre commodities
Os indicadores de atividade industrial da China voltaram a decepcionar em abril e ajudaram a compor o clima de cautela no pregão.
O PMI oficial do setor manufatureiro caiu para 49,0, abaixo da projeção de 49,7 e do patamar de 50,5 registrado em março, marcando o nÃvel mais baixo desde dezembro de 2023 e indicando contração da atividade.
O enfraquecimento foi puxado pela queda nos novos pedidos de exportação, diretamente afetados pelo acirramento da guerra comercial entre China e Estados Unidos.
O setor de serviços também desacelerou, com o PMI não manufatureiro recuando de 50,8 para 50,4, apontando perda de tração na economia como um todo.
Os dados pressionaram o mercado de commodities, impactando diretamente ações de empresas ligadas à exportação de minério e petróleo.
Bolsas Internacionais: Reação mista aos dados
As bolsas americanas fecharam de forma mista, refletindo a reação dos investidores aos dados econômicos divulgados:​
- S&P 500: queda de 0,2%, aos 5.550,00 pontos​
- Dow Jones: alta de 0,1%, aos 40.570,00 pontos​
- Nasdaq: queda de 0,3%, aos 17.410,00 pontos​
Na Europa, os principais Ãndices também fecharam sem direção única, com o Stoxx 600 registrando uma leve queda de 0,1%.​
Balanços Corporativos: Microsoft surpreende, WEG decepciona
- Microsoft (MSFT): As ações da empresa subiram mais de 6% no after-market após a divulgação de resultados do terceiro trimestre fiscal acima das expectativas. A receita foi de US$ 70,1 bilhões, com lucro por ação de US$ 3,46. O destaque ficou por conta do crescimento de 33% da divisão de nuvem Azure, impulsionado pela demanda por soluções de inteligência artificial.​
- WEG (WEGE3): As ações da companhia recuaram 11,55% após a divulgação de resultados trimestrais abaixo das expectativas do mercado.​
- Azul (AZUL4): Os papeis da companhia aérea caÃram 15,52%, acumulando uma perda de mais de 55% no mês de abril, mesmo após o anúncio de um financiamento adicional de R$ 600 milhões.​
Fechamento de Mercado | 30-04 | Feriado pausa a semana, mas volatilidade continua
Com o feriado do Dia do Trabalho nesta quinta-feira (1º de maio), os mercados brasileiros estarão fechados, retornando às atividades na sexta-feira.
Os investidores seguem atentos aos desdobramentos dos dados econômicos globais e à temporada de balanços corporativos, que continua a todo vapor.