Em um pregão de menor liquidez e dominado pela cautela, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda, pressionado por sinais de resiliência no mercado de trabalho e pelo retorno das incertezas fiscais.
O dado do Caged acima do esperado elevou os receios sobre o espaço para cortes na Selic, enquanto a discussão sobre o IOF voltou ao radar, reforçando a postura defensiva dos investidores locais.
No cenário internacional, o tom foi de realização. Investidores adotaram uma postura mais cautelosa à espera dos resultados da Nvidia, já divulgados, e digeriram a ata do Federal Reserve, considerada pouco conclusiva.
Persistem também dúvidas sobre os rumos da política comercial dos Estados Unidos. E a combinação desses fatores levou o Ibovespa a devolver parte dos ganhos recentes, com impacto adicional da recuperação judicial da Azul e da fraqueza no setor de siderurgia.
Ibovespa recua 0,47%, aos 138.887 pontos, com volume abaixo da média recente
O Ibovespa fechou em queda de 0,47%, aos 138.887,81 pontos, devolvendo parte dos ganhos recentes, em uma sessão marcada por maior seletividade e realização pontual.
O dado do Caged surpreendeu ao mostrar a criação líquida de 257.528 vagas formais em abril, acima da expectativa de 175 mil e marcando o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.
A leitura forte reforçou a percepção de um mercado de trabalho resiliente, o que impactou diretamente a curva de juros.
Os vértices intermediários e longos da curva subiram até 10 pontos-base, em um movimento que também refletiu cautela com a sinalização do Ministério da Fazenda de que o governo ainda discute formas alternativas de arrecadação, incluindo o controverso aumento do IOF.
A Febraban apresentou sugestões para evitar o aumento, mas o mercado segue monitorando possíveis desdobramentos.
Entre os destaques da B3: siderúrgicas pesam e Azul cai com pedido de Chapter 11
As ações da Azul PN (AZUL4) recuaram 3,74% após a companhia protocolar pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, em meio a uma dívida de R$ 31,35 bilhões. O papel foi excluído de todos os índices da B3, conforme previsto no manual da bolsa.
Entre as maiores quedas do dia estiveram também Usiminas PNA (USIM5) -4,67% e CSN ON (CSNA3) -3,67%, em meio a críticas do setor sobre a insuficiência das tarifas renovadas pelo governo contra o aço chinês.
Na ponta positiva, destaque para Brava ON (BRAV3) +4,28%, Vamos ON (VAMO3) +3,40% e PetroReconcavo ON (RECV3) +3,75%.
Vale ON (VALE3), Itaú PN (ITUB4) e Banco do Brasil ON (BBAS3), papeis de peso no índice, recuaram 0,80%, 0,81% e 1,99%, respectivamente, contribuindo para a pressão sobre o índice.
Wall Street fecha em baixa, mas Nvidia surpreende no pós-mercado com lucro recorde e alta de 4%
As bolsas americanas fecharam em baixa nesta quarta-feira, com investidores adotando postura cautelosa ao longo do pregão.
O foco esteve nos aguardados resultados da Nvidia, que foram divulgados após o fechamento do mercado regular e superaram as expectativas.
A fabricante de chips reportou um lucro líquido ajustado de US$ 19,89 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2026, alta de 31% na comparação anual.
A receita total cresceu 69%, para US$ 44,06 bilhões, ligeiramente acima do consenso de mercado. O destaque foi o segmento de data centers, com avanço de 73%, somando US$ 39,1 bilhões.
Apesar dos números fortes, a Nvidia incorporou encargos de US$ 10 bilhões relacionados a estoques e restrições impostas pelos EUA às exportações de chips para a China.
Para o segundo trimestre, a empresa projetou receita de US$ 45 bilhões, abaixo da estimativa média de US$ 45,9 bilhões, já considerando o impacto da proibição de vendas da linha H20 ao mercado chinês.
Ainda assim, os investidores reagiram positivamente: a ação da Nvidia subia cerca de 4% no after-hours em Nova York.
- Dow Jones: -0,58% (42.098,70 pontos)
- S&P 500: -0,56% (5.888,55 pontos)
- Nasdaq: -0,51% (19.100,94 pontos)
Além da Nvidia, o mercado seguiu monitorando a ata do Federal Reserve, considerada pouco conclusiva, e as incertezas sobre a política comercial dos EUA.
Entre os destaques negativos do dia estiveram Tesla (-1,65%) e GameStop (-10,88%), enquanto Joby Aviation disparou quase 29% após anúncio de aporte da Toyota.
Na Europa, o DAX caiu 0,8% (Alemanha), o FTSE 100 recuou 0,6% (Reino Unido) e o CAC 40 cedeu 0,5% (França).
Na Ásia, os principais índices tiveram desempenho misto, com o Kospi subindo 1,3%, enquanto Nikkei e Shanghai fecharam próximos da estabilidade.
Commodities: petróleo sobe com Opep+ estável e minério cai pela quinta sessão
O petróleo Brent fechou em alta de 0,76%, cotado a US$ 64,58 o barril.
A sessão foi marcada pela manutenção da política de produção da Opep+, frustrando expectativas de aumento na oferta.
Já o minério de ferro caiu 0,14% na bolsa de Dalian, registrando a quinta queda consecutiva. O movimento segue acompanhando o fraco desempenho do setor imobiliário na China e preocupações com a demanda estrutural.
Câmbio e juros: dólar avança 1,02% com pior desempenho entre emergentes e curva volta a subir
O dólar futuro subiu 1,02%, a R$ 5,700, enquanto o dólar à vista operou entre R$ 5,686 e R$ 5,713. O real teve o pior desempenho entre 23 moedas monitoradas pela Mover.
No exterior, o índice DXY avançou 0,33%, aos 99,88 pontos, impulsionado por expectativas fiscais nos EUA e leilões de Treasuries.
Os juros dos títulos americanos voltaram a subir, com o rendimento da T-note de 10 anos em 4,478% e o T-Bond de 30 anos a 4,977%.
No Brasil, a curva de juros subiu até 10 pontos-base, em resposta ao Caged mais forte que o esperado, incertezas sobre o IOF e avanço da dívida pública, que atingiu R$ 7,62 trilhões em abril.
Fechamento de Mercado | 28-05 | Ibovespa cai, dólar em alta e Nvidia gera impacto no after
O Ibovespa devolveu parte dos ganhos recentes nesta quarta-feira, em meio a um ambiente de maior cautela.
A combinação entre o dado mais forte do Caged, avanço da curva de juros e a retomada das discussões sobre o IOF pesou sobre os ativos locais, enquanto o dólar disparou.
No exterior, os mercados operaram em realização antes da divulgação dos resultados da Nvidia, que surpreenderam positivamente no after-hours, mas sem reverter o tom negativo do dia.
Internamente, a recuperação judicial da Azul e a pressão sobre siderúrgicas adicionaram volatilidade a uma sessão já marcada por seletividade e menor volume.
No radar seguem as negociações comerciais entre EUA e União Europeia, a nova reunião da Opep+ e a leitura da PNAD Contínua nesta quinta-feira, que pode trazer novos sinais sobre o mercado de trabalho brasileiro.