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Fechamento de Mercado Hoje: 28 de Abril de 2025

O mercado financeiro iniciou a semana em tom misto, refletindo a combinação de agenda econômica relevante, balanços corporativos aguardados e o cenário geopolítico ainda carregado de incertezas. 

No Brasil, o Ibovespa avançou pela quinta sessão consecutiva, enquanto o dólar manteve sua tendência de queda frente ao real. 

No exterior, as bolsas americanas encerraram o dia sem direção única, com investidores atentos à temporada de resultados e aos dados econômicos que podem definir os próximos passos da política monetária.

Ibovespa fecha em alta e atinge novo recorde no ano

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, subiu 0,21% nesta segunda-feira, encerrando o pregão aos 135.015 pontos, no maior patamar de 2025 até o momento. 

O movimento de alta foi sustentado principalmente por papeis do setor bancário e algumas blue chips, apesar da pressão vinda de empresas ligadas a commodities, que sofreram com a instabilidade no preço do minério de ferro e do petróleo.

Entre os destaques positivos estiveram os grandes bancos, como Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), beneficiados pela expectativa de manutenção dos juros básicos em patamares elevados por mais tempo. 

Já no setor de commodities, ações como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) pesaram negativamente, refletindo oscilações nas cotações internacionais.

O volume negociado foi relativamente forte para uma segunda-feira encurtada, somando R$ 24,7 bilhões, impulsionado por ajustes de carteira no final do mês.

Dólar recua e acumula sétima queda consecutiva

O dólar comercial fechou em queda de 0,68%, cotado a R$ 5,6480, na sétima sessão consecutiva de baixa frente ao real. 

A divisa americana refletiu um movimento global de enfraquecimento, com o índice DXY recuando 0,54%, para 98,929 pontos.

A busca por moedas de mercados emergentes como o real foi estimulada tanto pela fraqueza do dólar quanto pela perspectiva de manutenção do diferencial de juros favorável ao Brasil. 

O real se destacou como uma das moedas de melhor desempenho do dia no cenário global.

Wall Street fecha sem direção única, com expectativa sobre Big Techs

As bolsas americanas fecharam a sessão desta segunda-feira de forma mista:

  • S&P 500: +0,1% (5.528,75 pontos)
  • Dow Jones: +0,3% (40.227,59 pontos)
  • Nasdaq: -0,1% (17.366,13 pontos)

O mercado mostrou cautela, com os investidores de olho nos balanços de grandes nomes da tecnologia, Amazon, Apple e Meta, que serão divulgados ainda esta semana. 

Após resultados sólidos de Microsoft e Alphabet na semana anterior, as expectativas permanecem elevadas, mas o valuation esticado do setor de tecnologia adiciona pressão.

Além disso, cresce a atenção para a divulgação do índice de inflação PCE e do payroll de abril, dados que podem redefinir apostas para a trajetória de juros americanos ao longo do ano.

Destaques corporativos: Azul despenca em meio a preocupações financeiras

No Brasil, as ações da companhia aérea Azul (AZUL4) lideraram as perdas do dia, com queda expressiva de 10%, acumulando retração de 47% apenas no mês de abril. 

A pressão decorre de revisões negativas sobre o plano de reestruturação da empresa, aumento nos custos operacionais e temores sobre a capacidade de alongar sua dívida em meio a um ambiente macroeconômico ainda desafiador para o setor aéreo.

Outros destaques negativos ficaram por conta de ações de commodities, especialmente Vale, que recuou diante da queda no preço do minério de ferro em Dalian, China.

Juros e Treasuries: estabilidade nos curtos, leve alta nos longos

O mercado de Treasuries americanos operou em relativa estabilidade nos vértices curtos, enquanto registrou leve alta nos juros de vencimentos mais longos, como os títulos de 10 anos, que subiram para 4,66% ao ano.

O movimento reflete o reposicionamento dos investidores antes de uma semana intensa de divulgação de dados econômicos, que poderá influenciar o discurso futuro do Federal Reserve.

No Brasil, a curva de juros futuros (DI) também apresentou estabilidade, com leve fechamento nas taxas de médio e longo prazos, sinalizando que o mercado acredita que o Banco Central manterá os juros inalterados nas próximas reuniões.

Commodities: Ouro sobe com busca por proteção

Em um ambiente de incerteza global e leve aversão ao risco, o ouro subiu 1,49%, encerrando o dia cotado a US$ 3.347,70 por onça-troy. 

A busca por ativos de proteção aumentou após declarações da China e dos Estados Unidos indicarem que as tensões comerciais persistem sem avanços concretos.

O preço do petróleo fechou em leve queda, com o Brent cotado a US$ 82,11, diante de sinais mistos sobre a demanda global.

Geopolítica: tensão comercial continua, BRICS+ discute frente unificada

No cenário internacional, a ausência de avanços na relação comercial entre Estados Unidos e China manteve o clima de incerteza. 

Autoridades chinesas voltaram a classificar os movimentos diplomáticos americanos como “manobras políticas internas”, enquanto a Casa Branca sugeriu que ainda espera por negociações, sem sinalizar medidas concretas.

No Rio de Janeiro, a reunião dos ministros do BRICS+ começou com sinalizações de uma declaração conjunta defendendo reformas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e criticando medidas unilaterais de protecionismo, especialmente tarifário.

Apesar da retórica, tensões internas entre Índia e China limitaram a capacidade de articulação de uma posição realmente forte.

Fechamento de mercado | 28-04 | Posições cautelosas e olhos nos dados

O mercado encerra o dia ainda em modo de cautela moderada, em busca de novas direções a partir dos dados econômicos a serem divulgados nos próximos dias e dos balanços das grandes empresas de tecnologia.

A volatilidade pode ganhar força à medida que informações como o PCE e o payroll forem incorporadas aos preços, exigindo dos investidores disciplina, gestão de risco ativa e atenção contínua aos fundamentos.

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