O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira em firme alta, impulsionado por um IPCA-15 de maio abaixo das expectativas, alívio na curva de juros e apetite global por risco após a suspensão temporária de tarifas entre Estados Unidos e União Europeia.
A combinação desses fatores levou o índice à sua nova máxima histórica intradiária, aos 140.381 pontos, mesmo com o petróleo e o minério em queda no dia.
A leitura qualitativamente favorável do IPCA-15, com destaque para a desaceleração em serviços, reforçou a percepção de que o ciclo de alta da Selic chegou ao fim.
O movimento reduziu os prêmios na curva de juros e elevou as apostas para cortes ainda em 2025.
Além disso, a melhora expressiva na confiança do consumidor americano e o adiamento da tarifa de 50% por parte dos EUA sobre produtos europeus ajudaram a embalar os ativos de risco, com Wall Street disparando.
Ibovespa sobe 1,02%, fecha aos 139.541 pontos e renova máxima intradiária histórica
O Ibovespa avançou 1,02% no pregão, encerrando aos 139.541,23 pontos, com máxima histórica intradiária aos 140.381 pontos.
O volume financeiro totalizou R$ 22,8 bilhões, acima da média das últimas sessões, impulsionado pelo reposicionamento pós-feriado e leitura do IPCA-15.
A curva de juros recuou em toda a extensão, com destaque para quedas de até 18,5 pontos-base nos vértices intermediários e longos, refletindo a surpresa inflacionária positiva.
O dado de maio mostrou alta mensal de 0,36%, abaixo da projeção de 0,44%, e desaceleração da inflação acumulada em 12 meses para 5,40%, ante consenso de 5,49%.
Entre os destaques positivos do Ibovespa, Vamos ON (VAMO3) disparou 9,69%, Assaí ON (ASAI3) subiu 7,61%, e CVC ON (CVCB3) avançou 6,67%, em dia favorável ao varejo e consumo. Localiza ON (RENT3) também teve forte desempenho, com +4,41%, seguida por Bradesco PN (BBDC4) +2,04% e Itaú PN (ITUB4) +0,79%.
Na ponta negativa, CSN Mineração ON (CMIN3) caiu 5,80%, impactada pela nova queda do minério de ferro, enquanto Petz ON (PETZ3) recuou 4,15% e BRF ON (BRFS3) perdeu 3,52%.
O noticiário corporativo teve baixa influência, com destaque para a homologação da recuperação judicial da AgroGalaxy e movimentações internas em empresas como Neogrid e Renner.
Wall Street dispara com dados de confiança e alívio nas tensões comerciais
As bolsas americanas registraram fortes ganhos, recuperando parte das perdas da semana anterior.
A tendência foi impulsionada por uma melhora expressiva no índice de confiança do consumidor dos EUA, que subiu para 98,0 em maio, ante 85,7 em abril, superando com folga o consenso de 87,3.
- Dow Jones: +1,8% (42.343,65 pontos)
- S&P 500: +2,1% (5.921,54 pontos)
- Nasdaq: +2,5% (19.199,16 pontos)
Além disso, o adiamento da tarifa de 50% sobre produtos da União Europeia pelo presidente Donald Trump reduziu o estresse geopolítico. O rendimento da T-note de 10 anos caiu 7,5 pontos-base, para 4,434%.
Na Europa, os mercados também fecharam em alta, DAX +0,80% (Alemanha), FTSE 100 +0,70% (Reino Unido), enquanto o CAC 40 (França) ficou estável.
Na Ásia, o Nikkei 225 subiu 0,50% e o Shanghai Composite recuou 0,20%.
Commodities: petróleo recua com foco na Opep+ e minério cai pela quarta sessão
O petróleo Brent fechou em queda de 0,93%, cotado a US$ 64,18 o barril.
O movimento refletiu expectativas de novo aumento de produção na reunião da Opep+ marcada para o fim da semana, além de sinais de avanço nas negociações nucleares entre EUA e Irã.
O minério de ferro teve mais um dia de baixa na bolsa de Dalian, recuando 1,76%, aos 701 iuanes por tonelada, acumulando a quarta queda consecutiva.
A fraqueza no setor imobiliário chinês e o corte de produção siderúrgica continuam pesando sobre a commodity.
Câmbio e juros: dólar recua com leilão do BC e IPCA-15 fraco, curva cai até 18,5 pontos-base
O dólar comercial fechou em queda de 0,53%, cotado a R$ 5,650, após oscilar entre R$ 5,6360 e R$ 5,6780.
A trajetória foi favorecida pelo leilão de linha do Banco Central e pela leitura de inflação abaixo do esperado.
O dólar futuro para junho caiu 0,39%, a R$ 5,649. No exterior, o índice DXY avançou 0,68%, aos 99,60 pontos, com fortalecimento frente a pares como o euro e a libra.
A curva de juros brasileira teve queda generalizada. Os contratos mais longos recuaram até 18,5 pontos-base, refletindo expectativas de que o aperto monetário já atingiu seu pico, com chance crescente de cortes na Selic a partir do quarto trimestre, reforçada pelo efeito contracionista do novo IOF.
Fechamento de Mercado | 27-05 | Surpresa inflacionária e alívio global impulsionam o Ibovespa
O Ibovespa voltou a subir com força nesta terça-feira, apoiado em uma conjunção rara: surpresa positiva no IPCA-15, ambiente externo mais calmo e expectativa de fim do ciclo de alta da Selic.
A leitura do dado de inflação deu fôlego aos ativos locais, com destaque para setores de consumo e varejo.
Lá fora, a trégua tarifária entre EUA e UE, somada a uma forte leitura de confiança nos Estados Unidos, deu o tom da recuperação. Apesar da queda nas commodities, o sentimento global de alívio prevaleceu.
No radar dos próximos dias seguem as expectativas em torno da reunião da Opep+ e os próximos sinais do Banco Central, em meio a uma curva que começa a precificar o início de cortes de juros ainda em 2025.