O Ibovespa iniciou a semana em leve alta e sustentou os 138 mil pontos, impulsionado por ajustes na curva de juros e apetite moderado por risco, mesmo diante da baixa liquidez causada pelos feriados nos Estados Unidos (Memorial Day) e no Reino Unido.
O movimento acompanhou o alívio parcial após o governo sinalizar medidas compensatórias para a arrecadação perdida com o recuo parcial na elevação do IOF.
Na agenda macroeconômica, investidores monitoraram o Boletim Focus e a expectativa pela divulgação do IPCA-15 nesta terça-feira (27), com projeções de alta de 0,44% no mês e inflação acumulada de 12 meses em 5,49%.
O mercado vê esse dado como chave para confirmar a hipótese de fim do ciclo de alta da Selic.
Ibovespa fecha em alta com menor liquidez desde 2021 e curva de juros em queda
O Ibovespa encerrou em alta de 0,23%, aos 138.136,14 pontos, com volume de negociação de R$ 10,7 bilhões.
A sessão foi marcada pela ausência de referência de Wall Street, o que reduziu o fluxo de estrangeiros que normalmente respondem por mais de 50% do volume diário da B3.
Apesar disso, a percepção de que o aumento do IOF sobre operações de crédito funciona como aperto monetário indireto ajudou a empurrar para baixo os vértices da curva de juros.
O mercado passou a reforçar a aposta de que o Banco Central não terá necessidade de novos ajustes na Selic, com possibilidade de início de cortes no fim do ano.
A queda dos juros beneficiou ações ligadas ao consumo, varejo e construção.
O Assaí (ASAI3) liderou os ganhos do dia com alta de 5,97%, seguido por Azul PN (+4,81%) e Braskem PNA (+4,15%), que reagiu à proposta de aquisição feita por Nelson Tanure da fatia da Novonor na companhia. Entre os grandes bancos, Banco do Brasil ON (BBAS3) subiu 1,02%.
Na ponta negativa, Raízen PN (RAIZ4) caiu 7,94%, corrigindo parte dos ganhos recentes após três sessões de alta consecutivas. JBS ON (JBSS3) recuou 3,63% e Petz ON (PETZ3) perdeu 3,13%.
Mercados internacionais fecham com baixa atividade por feriados
As bolsas de Nova York permaneceram fechadas nesta segunda-feira devido ao feriado de Memorial Day, o que contribuiu para a baixa liquidez nos mercados globais. O mesmo ocorreu no Reino Unido, com o fechamento do FTSE 100.
Na Europa continental, os principais índices encerraram em alta, com investidores reagindo positivamente ao adiamento da tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos da União Europeia.
O presidente dos EUA prorrogou a entrada em vigor da medida de 1º de junho para 9 de julho, após conversa com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
- Stoxx 600: +0,98%, aos 550,47 pontos
- DAX (Frankfurt): +1,56%, aos 23.997,44 pontos
- CAC 40 (Paris): +1,21%, aos 7.828,13 pontos
Commodities: petróleo estável e minério recua com demanda fraca
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam praticamente estáveis, com queda marginal de 0,05%, a US$ 64,18 por barril.
O mercado acompanhou a antecipação da reunião da Opep+ para 31 de maio, quando será decidido o nível de produção para julho. Rumores apontam para um possível novo aumento de oferta, o terceiro seguido.
Já o minério de ferro teve forte queda de 2,21% na bolsa de Dalian, cotado a 714 iuanes por tonelada.
O movimento sinalizou a fraqueza contínua no setor imobiliário chinês e o consumo ainda moderado de aço, o que prejudica o sentimento de curto prazo no mercado.
Câmbio e juros: dólar sobe com ruído do IOF e curva recua com aposta em fim do ciclo de alta
O dólar à vista avançou 0,51%, a R$ 5,6757, após oscilar entre R$ 5,6360 e R$ 5,6780. O dólar futuro para junho subiu 0,42%, cotado a R$ 5,6810.
O índice DXY recuou 0,12%, aos 98,997 pontos, com o euro subindo 0,19%, a US$ 1,1385, e a libra ganhando 0,17%, a US$ 1,3564.
Na curva de juros, os vértices encerraram o dia em queda de até 3,0 pontos-base.
O alívio foi motivado pela leitura de que o impacto do IOF sobre o custo de capital das empresas pode equivaler a um aumento de 25 a 50 pontos-base na Selic, o que reduziria a necessidade de novas altas pela autoridade monetária.
Balança comercial tem superávit de US$ 2,2 bilhões na semana
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou superávit comercial de US$ 2,297 bilhões na quarta semana de maio, resultado de exportações de US$ 7,352 bilhões e importações de US$ 5,055 bilhões.
No acumulado do mês, o saldo positivo chega a US$ 6,483 bilhões, e no ano atinge US$ 24,212 bilhões.
As exportações cresceram 4,7% em relação ao mesmo período de 2024, com alta nas três grandes categorias: Agropecuária (+4,1%), Indústria Extrativa (+2,0%) e Indústria de Transformação (+6,5%).
Já as importações avançaram 5,5%, puxadas pelo aumento de 10,1% na Indústria de Transformação, que representou US$ 16,32 bilhões no acumulado até a quarta semana.
Fechamento de Mercado | 26-05 | Alívio nos juros sustenta o Ibovespa em sessão esvaziada, com IPCA-15 no radar
Em uma sessão marcada por liquidez reduzida e ausência de Wall Street, o Ibovespa conseguiu sustentar os 138 mil pontos com apoio do alívio nos juros futuros e expectativa de que o aperto monetário tenha chegado ao fim.
A reação à mudança no IOF seguiu no centro das discussões, com o mercado interpretando o impacto fiscal e financeiro da medida como fator de moderação para a Selic.
No radar dos próximos dias, os investidores acompanham a divulgação do IPCA-15 de maio, que pode reforçar a leitura de estabilidade no cenário inflacionário e calibrar as apostas sobre os próximos passos do Banco Central.
O ambiente externo, ainda sensível a decisões políticas nos EUA e negociações comerciais com a Europa, também segue como peça-chave para os movimentos de curto prazo.