O Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta, revertendo as perdas da véspera, mas não evitou o recuo semanal.
A recuperação ao longo da sessão foi impulsionado pelo recuo parcial do governo em relação ao aumento do IOF e a sinalização do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, contra a medida.
Apesar da recuperação doméstica, os índices de Nova York fecharam em queda expressiva, pressionados por novas ameaças tarifárias do presidente Donald Trump.
Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 0,98%, enquanto o Nasdaq caiu 2,47%, o S&P 500 recuou 2,61% e o Dow Jones perdeu 2,47%.
Ibovespa sobe 0,40% com alívio em IOF e fala de Galípolo, mas semana fecha no vermelho
O Ibovespa subiu 0,40%, aos 137.824,29 pontos, na máxima do dia, com volume financeiro de R$ 20,7 bilhões, abaixo da média dos últimos pregões.
Na semana, o índice acumulou baixa de 0,98%, encerrando uma sequência de seis altas semanais consecutivas.
O movimento de alta veio após o Ministério da Fazenda recuar de forma parcial na proposta de aumento do IOF.
A pasta voltou atrás quanto à alíquota de 3,5% sobre aplicações de fundos no exterior e remessas internacionais para investimentos, reduzindo-a para 1,1%.
Mais cedo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nunca ter gostado da ideia de elevar o imposto, destacando que a medida poderia ser interpretada como controle de capitais.
O alívio também influenciou na curva de juros, que fechou em queda de até 12,5 pontos-base nos vértices mais longos.
A decisão da Fazenda, tomada após pressão do mercado e reuniões emergenciais na noite anterior, ajudou a estancar parte da volatilidade gerada nos últimos dias.
Entre os destaques de alta, Braskem PNA disparou 9,15% após notícia de oferta de aquisição por parte do empresário Nelson Tanure. Raízen PN avançou 7,00%, e Direcional ON subiu 4,51%.
Já entre as contribuições positivas mais relevantes para o índice estiveram Itaú PN (+1,21%), Bradesco PN (+1,23%) e Sabesp ON (+0,94%).
Na ponta oposta, Azzas 2154 ON e Magazine Luiza ON figuraram entre as maiores quedas, pressionadas pelo ambiente de maior cautela em torno do consumo e pelas mudanças no IOF.
Petrobras (PETR4) recuou, mesmo com a alta do petróleo, enquanto Vale (VALE3) acompanhou a queda do minério de ferro na China.
Wall Street fecha em baixa com tarifas de Trump e cautela pré-feriado
Os índices de Nova York encerraram o dia em queda firme, refletindo a ameaça de Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre importações da União Europeia a partir de 1º de junho, além de sobretaxar em 25% produtos da Apple fabricados fora dos EUA.
- Dow Jones: -0,61%, aos 41.603,07 pontos
- S&P 500: -0,67%, aos 5.802,82 pontos
- Nasdaq: -1,00%, aos 18.737,21 pontos
Na semana, os três principais índices caíram mais de 2%, com o mercado penalizando empresas ligadas à tecnologia e semicondutores.
A Apple cedeu 3,02%, enquanto papeis de energia nuclear e aço avançaram com apoio de declarações do presidente americano. Os rendimentos dos Treasuries recuaram, com o T-Bond de 30 anos fechando a 5,038% e a T-note de 10 anos em 4,514%.
Commodities: petróleo avança e minério recua com China no radar
O petróleo Brent para julho subiu 0,76%, a US$ 64,93 o barril, após inverter a trajetória de baixa.
A valorização foi sustentada por expectativas de maior demanda com o início da temporada de verão nos EUA e pela falta de avanços nas negociações nucleares entre EUA e Irã.
O minério de ferro em Dalian fechou em queda de 1,24%, a caminho de retração semanal, pressionado pela fraqueza do setor imobiliário chinês e demanda mais fraca por parte das siderúrgicas locais.
Câmbio e juros: dólar recua com alívio em IOF e menor aversão ao risco
O dólar futuro caiu 1,82%, a R$ 5,658, enquanto o dólar à vista fechou em R$ 5,6470, com queda de 0,45%. O índice DXY perdeu 0,85%, a 99,112 pontos, refletindo menor demanda por segurança e percepção de que as ameaças comerciais de Trump podem ser atenuadas.
No mercado de juros, os DIs encerraram em baixa moderada após forte alívio intradiário. A curva chegou a precificar quedas de até 12,5 pontos-base nos vencimentos longos, mas devolveu parte do movimento ao fim do pregão.
Fechamento de Mercado | 23-05 | Alívio parcial no IOF dá fôlego ao Ibovespa, mas cautela fiscal e externa pesam na semana
O Ibovespa conseguiu se recuperar no fim da semana com apoio do recuo parcial da Fazenda e fala técnica de Galípolo, mas o sentimento geral de cautela ainda persiste.
O cenário externo continua pressionado por incertezas fiscais nos EUA e tensões comerciais renovadas.
A próxima semana começa com feriado nos EUA (Memorial Day) e expectativa pelo resultado da Nvidia, além de dados de inflação e consumo que podem calibrar apostas para os juros globais.