O Ibovespa encerrou a quarta-feira em forte queda, em linha com o movimento das bolsas globais.
A sessão foi marcada por aversão ao risco, após um leilão fraco de Treasuries de 20 anos reacender temores sobre a sustentabilidade da dívida americana, num momento em que avança no Congresso um projeto de lei que prevê cortes de impostos e aumento de gastos.
No Brasil, o índice realizou parte dos lucros recentes após atingir sua máxima histórica na véspera.
A pressão adicional veio do noticiário local, com foco em medidas provisórias com impacto fiscal e na expectativa pelo relatório fiscal do governo que será divulgado amanhã, quinta-feira (22/05).
Ibovespa recua 1,59% com aversão ao risco e cautela fiscal
O Ibovespa caiu 1,59%, aos 137.881,27 pontos, com volume financeiro de R$ 22,7.
O índice operou pressionado ao longo de toda a sessão, com apenas alguns poucos ativos no campo positivo.
Na ponta negativa, destaque para Marcopolo PN (-6,94%), Vamos ON (-6,60%) e Ultrapar ON (-6,33%).
Entre os papeis de maior peso, Itaú PN caiu 2,01%, Vale ON recuou 1,28% e B3 ON perdeu 3,01%.
Do lado positivo, Raízen PN subiu 5,95% após notícias de acordo com a Pátria Investimentos para venda de projetos de geração solar. Cosan ON avançou 1,32% e PetroReconcavo ON ganhou 1,21%.
Wall Street fecha em queda com foco em déficit dos EUA
As bolsas americanas encerraram o dia em baixa, reagindo ao aumento dos rendimentos dos Treasuries e à piora nas projeções fiscais.
O leilão de títulos de 20 anos do Tesouro teve demanda abaixo da média, com yield de 5,047%, acima do último leilão, e relação de cobertura de 2,46, frente à média de 2,58.
Analistas alertam que o novo plano orçamentário pode manter o déficit acima de 6,5% do PIB por vários anos.
- Dow Jones: -1,91%, aos 41.860,44 pontos
- S&P 500: -1,61%, aos 5.844,61 pontos
- Nasdaq: -1,41%, aos 18.872,64 pontos
Setorialmente, bancos, companhias aéreas e empresas de energia lideraram as perdas.
Destaque para a queda de 5,8% das ações da UnitedHealth após rebaixamento pelo HSBC, e para a forte queda da Wolfspeed, que despencou quase 60% com rumores de pedido de falência.
Commodities: petróleo recua com estoques nos EUA, minério sobe na China
O petróleo Brent recuou 0,86%, cotado a US$ 64,82 o barril, após dados da EIA indicarem aumento inesperado dos estoques de petróleo bruto e derivados nos EUA.
A alta dos estoques ofuscou preocupações com possíveis ações militares de Israel contra o Irã.
O minério de ferro fechou em alta de 0,76% em Dalian, aos 730 iuanes (cerca de US$ 100,63 por tonelada), com suporte da política monetária expansionista da China, embora a produção de aço tenha se estabilizado, limitando ganhos adicionais.
Câmbio e juros: dólar avança, curva estica com fiscal no radar
O dólar futuro subiu 0,33%, cotado a R$ 5,658, refletindo o ambiente externo mais instável.
Lá fora, o índice DXY caiu 0,55%, aos 99,559 pontos, com o dólar recuando frente a moedas como euro, iene e libra, em meio às dúvidas sobre o plano fiscal dos EUA.
A curva de juros doméstica acompanhou o estresse externo e avançou em toda a extensão, com alta de até 15 pontos-base nos vértices mais longos.
A valorização das taxas também foi influenciada por rumores de aumento de gastos ligados à reforma elétrica e à ampliação da tarifa social.
Fechamento de Mercado | 21-05 | Ibovespa realiza lucros após recorde e sente pressão do exterior
Após alcançar máxima histórica, o Ibovespa voltou a recuar em linha com o exterior, em um dia marcado por receios fiscais e alta dos juros globais.
Internamente, seguem no radar o relatório fiscal a ser divulgado amanhã (22/05) e o desenrolar das propostas em tramitação que podem alterar a dinâmica de receitas e despesas públicas.
No cenário externo, investidores monitoram os desdobramentos do projeto fiscal nos EUA, os movimentos no mercado de Treasuries e a sinalização do Federal Reserve nas próximas semanas diante da persistência inflacionária.