O Ibovespa iniciou a semana em alta e renovou sua máxima histórica, impulsionado pelo alívio na curva de juros e pela entrada de fluxo estrangeiro, após declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinalizarem o fim do ciclo de aperto monetário.
A fala repercutiu positivamente no mercado local, compensando a pressão inicial vinda do exterior, onde o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela Moody’s gerou cautela.
No cenário internacional, as bolsas de Nova York abriram em queda, mas se recuperaram ao longo da sessão com o avanço nas tratativas comerciais entre Estados Unidos e China, além de sinais de descompressão nos juros longos.
O apetite por risco também foi sustentado por expectativas de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, após declarações do presidente Donald Trump.
Ibovespa renova máxima histórica, com curva em queda e apoio estrangeiro
O Ibovespa subiu 0,39% nesta segunda-feira, encerrando o pregão aos 139.636,41 pontos, após alcançar a máxima intradiária de 140.203 pontos, um novo recorde nominal.
O movimento refletiu a queda de até 14 pontos-base na curva de juros, puxada por declarações de Galípolo, que afirmou que a Selic deve permanecer em patamar restritivo por um período prolongado.
A leitura do mercado foi de que o ciclo de alta está encerrado, favorecendo a reprecificação de ativos de risco.
Além disso, o fluxo estrangeiro ganhou força após o JPMorgan elevar sua recomendação para ações de mercados emergentes para “compra”, citando o enfraquecimento do dólar e o alívio nas tensões comerciais entre EUA e China.
No campo macroeconômico, o IBC-Br de março avançou 0,8%, acima da expectativa de 0,5%, o que chegou a pressionar os juros pela manhã, mas foi neutralizado pelas falas da autoridade monetária.
No Focus, a projeção para o PIB de 2025 subiu de 2,00% para 2,02%, enquanto o IPCA recuou pela quinta semana seguida, de 5,51% para 5,50%.
Entre as ações com maior contribuição positiva ao índice, destaque para Itaú (+1,19%), Embraer (+2,76%) e JBS (+3,06%). Entre as maiores altas percentuais estiveram JBS (+3,06%), Embraer (+2,76%) e Lojas Renner (+2,62%).
Na ponta oposta, Marfrig caiu 6,42%, liderando as perdas, seguida por GPA (-3,90%) e Petz (-3,57%).
Wall Street fecha em alta moderada, com recuperação após rebaixamento dos EUA
Após abrirem em queda, os principais índices de Nova York se recuperaram e encerraram em alta, mesmo após a Moody’s rebaixar a nota de crédito dos EUA de ‘Aaa’ para ‘Aa1’.
O movimento foi amenizado por declarações do Federal Reserve e pela expectativa de avanços em um acordo comercial definitivo com a China.
Os índices encerraram o dia da seguinte forma:
- Dow Jones: +0,32% (42.792,07 pontos)
- S&P 500: +0,09% (5.963,60 pontos)
- Nasdaq: +0,02% (19.215,46 pontos)
O setor de saúde se destacou, com UnitedHealth subindo 8,21% após quedas expressivas na semana anterior. Por outro lado, Tesla recuou 2,25% e Nvidia caiu 0,13%, mesmo após anunciar parcerias em IA.
O rebaixamento da Moody’s reacendeu temores fiscais, especialmente após o avanço de um novo pacote tributário no Congresso americano, que pode elevar a dívida em até US$ 5 trilhões na próxima década.
Commodities: petróleo recua levemente e minério de ferro cai na China
O petróleo Brent fechou em leve baixa de 0,08%, cotado a US$ 65,36 por barril. A sessão foi marcada por oscilação, com investidores reagindo à declaração de Trump sobre o início iminente de negociações de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, o que reduziu prêmios de risco geopolítico.
O minério de ferro caiu 0,89% em Dalian, pressionado por dados fracos da economia chinesa e sinais de demanda instável pelo aço.
O ouro, por outro lado, subiu com força, refletindo o movimento de busca por proteção após o rebaixamento dos EUA.
Câmbio e juros: dólar e DXY recuam, curva americana mista
O dólar futuro caiu 0,33%, para R$ 5,670, acompanhando o recuo global da moeda americana após o corte na nota de crédito dos EUA. O índice DXY caiu 0,66%, a 100,426 pontos.
No Brasil, o alívio na curva de juros foi generalizado, com recuo de até 14 pontos-base nos vértices longos.
Nos EUA, os juros ficaram mistos. O rendimento da T-note de 2 anos caiu para 3,970%, enquanto a T-note de 10 anos subiu a 4,455% e o T-Bond de 30 anos avançou a 4,914%, após tocar 5,036% na máxima.
Fechamento de Mercado | 19-05 | Juros em queda e fluxo externo sustentam nova máxima do Ibovespa
O Ibovespa iniciou a semana em tom construtivo, sustentado pela percepção de fim do ciclo de alta da Selic e por um cenário externo menos hostil, apesar do rebaixamento da nota de crédito dos EUA.
O alívio nos juros, o apoio do investidor estrangeiro e o viés de reprecificação global seguem como pilares da valorização recente do mercado acionário brasileiro.
O investidor segue atento às tensões fiscais nos EUA, aos desdobramentos comerciais e às indicações futuras de política monetária, tanto no Brasil quanto fora.