Após renovar máximas históricas na véspera, o Ibovespa passou por um dia de correção e fechou em leve queda, em linha com o movimento mais defensivo visto nos mercados internacionais.
A sessão foi marcada por ajuste na curva de juros, realização em ações de peso e menor volume financeiro.
No exterior, o ambiente foi de maior seletividade, com os Ãndices de Nova York encerrando sem direção única: Nasdaq sustentado por tecnologia, S&P 500 próximo da estabilidade e Dow Jones em queda, refletindo ajuste em setores industriais.
Investidores também repercutiram o anúncio de um novo acordo entre Estados Unidos e Catar, com volume estimado em mais de 1 trilhão de reais.
Ibovespa recua após recorde, com pressão na curva e balanços negativos
O Ibovespa caiu 0,39%, aos 138.422,84 pontos, após ter renovado sua máxima histórica nominal na terça-feira.
O Ãndice chegou a oscilar durante o pregão, mas perdeu força na reta final, refletindo a abertura da curva de juros, em linha com o movimento externo.
Na ponta negativa, Azul PN (AZUL4) liderou as perdas, com baixa de 16%, após reportar prejuÃzo ajustado de R$ 1,816 bilhão no 1T25. O Ebitda ficou 19%, consideravelmente abaixo das expectativas.
Localiza ON (RENT3) recuou 4,86%, JBS ON (JBSS3) caiu 3,67%, afetada por tarifas sobre couro exportado para a China, e B3 ON (B3SA3) perdeu 2,01%.
Na outra ponta, Natura (NTCO3) subiu 7,10%, após divulgar prejuÃzo 83,9% menor no trimestre. IRB (IRBR3) avançou 6,42%, enquanto Porto Seguro (PSSA3) teve alta de 4,54%.
Wall Street fecha mista, com Nasdaq apoiado por tecnologia e Dow Jones pressionado
Em Nova York, os principais Ãndices encerraram o dia sem direção única, com ajustes setoriais e rotação de carteiras.
O ambiente ainda reflete a trégua comercial entre EUA e China, o impacto de acordos bilionários com paÃses do Golfo e a trajetória dos juros nos Treasuries.
- Nasdaq: +0,72% (+135,73 pontos), aos 19.146,81 pontos
- S&P 500: +0,10% (+6,03 pontos), aos 5.892,58 pontos
- Dow Jones: -0,21% (-89,37 pontos), aos 42.051,06 pontos
Ações de tecnologia sustentaram o Nasdaq, com destaque para Nvidia (+4,1%) e AMD (+4,7%), apoiadas por novos contratos com a Humain, da Arábia Saudita. A Super Micro Computer subiu mais de 15%, enquanto a Palantir estendeu os ganhos recentes.
Na outra ponta, o setor de saúde continuou pressionado após a forte queda da UnitedHealth na véspera.
O tom geral foi de maior seletividade, com investidores reagindo a uma combinação de fatores: fluxo global, reprecificação de juros e cautela com resultados trimestrais.
Commodities: petróleo recua com estoques e minério sobe com alÃvio comercial
O petróleo Brent caiu 1,31%, cotado a US$ 65,76 por barril, após dados da EIA mostrarem aumento de 4,3 milhões de barris nos estoques dos EUA.
A Opep manteve suas projeções para a demanda em 2025 e 2026, mas o mercado repercutiu o excesso de oferta no curto prazo.
O minério de ferro subiu 2,43% em Dalian, a US$ 102,16 por tonelada, com apoio da trégua tarifária e expectativa de estÃmulos à indústria chinesa.
O ouro recuou 1,72%, a US$ 3.192,00 a onça-troy, com menor demanda por proteção.
Dólar sobe com rotação global e curva longa americana
O dólar à vista subiu 0,43%, encerrando o dia cotado a R$ 5,6327, enquanto o dólar futuro avançou 0,35%, a R$ 5,659.
A valorização da moeda americana foi impulsionada pelo movimento global de busca por proteção, apesar do CPI dos EUA vir abaixo do esperado.
O Ãndice DXY avançou 0,04%, aos 101,039 pontos, com o mercado digerindo falas do presidente Donald Trump e sinalizações de que a polÃtica comercial americana pode incluir flexibilização cambial nas negociações externas.
A curva longa americana ganhou inclinação adicional, com o T-Bond de 30 anos subindo para 4,967%. O movimento refletiu também preocupações fiscais, após a Casa Branca anunciar novo pacote de acordos com o Catar, que pode movimentar até R$ 1,2 trilhão.
Fechamento de Mercado | 14-05 | Correção técnica e curva pressionada limitam apetite por risco
Depois de renovar máximas históricas, o Ibovespa passou por um dia de ajuste moderado, com investidores reagindo à inclinação da curva de juros, realização de lucros e uma agenda corporativa carregada.
No exterior, o foco segue nas negociações comerciais dos EUA, no comportamento dos Treasuries e nos próximos indicadores de inflação, que seguem determinando o ritmo da reprecificação global.
A combinação de juros longos pressionados, fluxo mais seletivo e balanços mistos reforça o viés de cautela no curto prazo, ainda que o pano de fundo externo continue construtivo para ativos de risco.
A atenção agora se volta para a reta final da temporada de resultados, os dados de varejo nos Estados Unidos e os desdobramentos da polÃtica fiscal americana, que seguem no radar de forma cada vez mais relevante.