Em um dia de forte oscilação nos mercados globais, o Ibovespa fechou em alta de 0,21%, aos 136.511,88 pontos, impulsionado por balanços positivos e maior apetite por risco no início do pregão, que perdeu força à tarde com a virada das bolsas americanas.
No mercado internacional, os índices de Nova York encerraram o dia sem direção única. Nasdaq se manteve estável, subindo 0,004% aos 17.928,92 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,07%, aos 5.659,91 pontos, e o Dow Jones recuou 0,29%, aos 41.249,38 pontos.
A cautela predominou na reta final do dia com os investidores à espera da reunião entre autoridades dos Estados Unidos e da China, marcada para o fim de semana na Suíça.
No Brasil, o dólar futuro caiu 0,06%, a R$ 5,685, e os juros longos encerraram em queda, ainda repercutindo a decisão do Copom e os dados de inflação divulgados pela manhã.
Ibovespa avança e fecha semana com ganho acumulado acima de 1%
O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,21%, aos 136.511,88 pontos, após ter superado os 137 mil pontos ao longo da sessão.
O desempenho foi apoiado por resultados corporativos positivos e por fluxo comprador nos papéis de bancos e empresas de infraestrutura.
Com isso, o índice acumulou alta semanal de 1,02%, em uma semana marcada por forte movimentação institucional e maior volume financeiro, com um total de R$ 29,4 bilhões negociados nesta sexta-feira, bem acima da média dos últimos 50 pregões, de R$ 18 bilhões.
Entre os destaques positivos, Porto Seguro (PSSA3) subiu 5,66%, Petroreconcavo (RECV3) avançou 5,49% e Itaú Unibanco PN (ITUB4) teve alta de 5,41%, após apresentar lucro recorrente gerencial de R$ 11,128 bilhões no 1T25, com melhora de margem financeira e rentabilidade.
Itaúsa (ITSA4) (+4,25%) e B3 (B3SA3) (+1,96%) também reagiram positivamente à temporada de balanços.
Na ponta oposta, ações ligadas a consumo e construção estiveram entre as maiores quedas.
Azul (AZUL4) caiu 11,8%, MRV (MRVE3) recuou 11,2% e CSN (CSNA3) teve baixa de 9,87%, pressionada por resultado fraco e desempenho negativo do minério de ferro.
Dólar recua e juros longos fecham em queda
O dólar comercial futuro encerrou o dia com leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,685, acompanhando o movimento global de desvalorização da moeda americana.
O índice DXY recuou 0,25%, aos 100,3 pontos, com investidores adotando postura mais defensiva antes das negociações entre EUA e China.
Na curva de juros, os vértices longos registraram queda de até 8 pontos-base, ainda repercutindo a decisão do Copom desta semana, que elevou a Selic para 14,75% e indicou que a continuidade do ciclo dependerá da evolução do cenário inflacionário.
Os dados do IPCA de abril mostraram uma desaceleração na margem, com alta de 0,43% no mês, ante 0,56% em março, embora a variação anual tenha subido de 5,48% para 5,53%, pressionada por serviços e núcleos persistentes.
Wall Street oscila e fecha mista, com cautela pré-encontro EUA e China nesse final de semana
Nos Estados Unidos, os mercados acionários terminaram o dia de forma mista, após um pregão de instabilidade:
- Nasdaq: +0,004%% (+0,78 pontos), aos 17.928,92 pontos
- S&P 500: -0,07% (-4,03 pontos), aos 5.659,91 pontos
- Dow Jones: -0,29% (-119,07 pontos), aos 41.249,38 pontos
A expectativa por um possível alívio nas tarifas comerciais com a China chegou a animar os investidores no início do dia, mas foi parcialmente revertida após declarações do presidente Donald Trump sugerindo elevação de tarifas para até 80%, o que impôs cautela na reta final.
Entre os destaques corporativos em Nova York, Lyft (LYFT) e The Trade Desk (TTD) subiram fortemente após resultados positivos, enquanto Affirm (AFRM) e Expedia (EXPE) caíram em reação a previsões fracas.
O rendimento do Treasury de 10 anos subiu discretamente a 4,375%, com investidores divididos entre apostas inflacionárias e receio de desaceleração da atividade econômica.
Commodities: petróleo sobe, minério recua
No mercado de commodities, o petróleo Brent avançou 1,69%, cotado a US$ 63,90 o barril, acumulando alta semanal superior a 4%.
O movimento refletiu maior otimismo quanto ao equilíbrio da demanda global, especialmente após sinais de distensão entre EUA e China.
Já o minério de ferro recuou 0,57% em Dalian, com operadores repercutindo notícias de cortes adicionais na produção de aço na China, o que alimenta preocupações sobre enfraquecimento da demanda por minério.
Fechamento de Mercado | 09-05 | Fôlego limitado e atenção redobrada
O mercado encerra a semana com ganhos, mas com sinais claros de que o fôlego comprador encontra resistência diante de incertezas macroeconômicas e ruído geopolítico.
No Brasil, a política monetária segue como vetor central, com inflação pressionando e Selic em território fortemente contracionista.
Lá fora, as negociações entre Estados Unidos e China serão o principal catalisador na abertura da próxima semana, com potencial de impacto direto sobre ativos de risco e câmbio.
A postura defensiva continua predominante, afinal, o ambiente segue sensível, e qualquer sinal vindo de política monetária ou diplomacia comercial pode redefinir preços em um curto espaço de tempo.