A quinta-feira foi de forte recuperação para os ativos domésticos, com o Ibovespa renovando máxima histórica intradiária e encerrando no maior nível nominal da série.
A alta refletiu uma combinação de fatores locais e externos, em meio ao alívio na curva de juros, balanços positivos e redução das incertezas geopolíticas.
No radar, os investidores digeriram os desdobramentos da Super Quarta, com o Copom sinalizando o fim do ciclo de aperto monetário e o Federal Reserve mantendo o discurso dependente de dados, afastando por ora a chance de cortes antecipados.
A leitura majoritária foi de que, apesar do tom cauteloso, os dois bancos centrais já enxergam um ambiente mais estável para os próximos passos.
Lá fora, o anúncio de um novo acordo comercial entre Estados Unidos e Reino Unido reforçou o tom otimista e impulsionou Wall Street, contribuindo para o bom humor dos mercados globais.
A notícia foi bem recebida como primeiro passo concreto em meio a semanas de tensões comerciais, e coincidiu com sinais de reaproximação entre Washington e Pequim, o que ajudou a sustentar os ativos de risco ao longo do dia.
Ibovespa dispara com bancos, curva longa e leitura de fim do ciclo
O Ibovespa subiu 2,12%, aos 136.231,90 pontos, na maior alta diária desde 9 de abril, com volume expressivo de R$ 34,6 bilhões. Na máxima intradiária, chegou a tocar os 137.634 pontos, cravando novo recorde nominal.
A performance foi liderada pelas ações do setor financeiro, com destaque absoluto para Bradesco, que saltou até 15,6% após divulgar lucro acima do esperado e forte recuperação de rentabilidade. BTG Pactual também figurou entre os principais suportes do índice.
A leitura majoritária no mercado é de que o Copom sinalizou cautela e flexibilidade para as próximas decisões, reconhecendo os efeitos defasados da alta de juros e os riscos crescentes do ambiente global.
A retirada de projeções no comunicado e o novo balanço de riscos alimentaram apostas de que a Selic está próxima da estabilidade, abrindo espaço para alívio na ponta longa da curva de juros.
Os vértices curtos, por outro lado, seguiram pressionados pelo discurso de “juros altos por mais tempo”.
Wall Street avança com anúncio de Trump e perspectiva de diálogo com a China
Os índices em Nova York encerraram o dia em alta, após o presidente Donald Trump anunciar um novo acordo comercial com o Reino Unido, que prevê maior acesso ao mercado britânico para exportações agrícolas dos EUA.
Apesar da manutenção de tarifas, o anúncio foi interpretado como um gesto de distensão nas relações comerciais.
- Dow Jones: +0,62% (41.368,45 pontos)
- S&P 500: +0,58% (5.663,94 pontos)
- Nasdaq: +1,07% (17.928,14 pontos)
O ambiente ganhou ainda mais tração com a notícia de que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, se reunirá com autoridades chinesas neste fim de semana, em meio à tentativa de reabrir canais de diálogo econômico.
Destaques corporativos: Bradesco lidera ganhos, Azzas dispara
O grande destaque do pregão foi o Bradesco, que registrou lucro 39,3% maior no 1T25 e surpreendeu positivamente o mercado, com retorno sobre patrimônio (ROE) indo a 14,4%.
A Azzas também figurou entre as maiores altas do índice, com avanço de 22%, após divulgar lucro 15,6% maior no trimestre.
Na ponta negativa, Vale recuou 0,3%, pressionada pelo minério, enquanto Ultrapar caiu 3,69% e BB Seguridade recuou 2,6%, ambos após resultados abaixo das expectativas.
Fechamento de Mercado | 08-05 | Rali técnico com leitura de transição monetária e impulso global
A sessão desta quinta consolidou uma virada de sentimento, com o mercado combinando um ambiente externo menos hostil com expectativas de que o ciclo de aperto monetário no Brasil está prestes a se encerrar.
O rali foi técnico, mas sustentado por fundamentos: melhora nos balanços, fluxo de capital e tração política no cenário internacional.
A atenção agora se volta para o IPCA de abril, que será divulgado nesta sexta-feira e deve ajudar a calibrar o discurso do Banco Central para a reunião de junho.