Na véspera da Super Quarta, os mercados globais operaram com tom mais defensivo, à espera das decisões de política monetária do Federal Reserve e do Copom.
A intensa agenda de balanços e os ruídos geopolíticos também contribuíram para um pregão de baixa liquidez e direção incerta.
No Brasil, o Ibovespa fechou praticamente estável, sustentado pelo avanço de ações da Petrobras, em linha com a recuperação do petróleo no exterior, e por papeis de telecomunicações e bancos.
O dólar voltou a subir, refletindo o movimento defensivo dos investidores diante das incertezas domésticas e externas.
Nos Estados Unidos, as bolsas recuaram de forma generalizada, pressionadas por balanços corporativos fracos e preocupações com os impactos da política tarifária na economia americana.
Ibovespa fecha estável: Petrobras avança, Tim surpreende e Pão de Açúcar despenca
O Ibovespa encerrou a sessão praticamente estável, com leve alta de 0,02%, aos 133.515,82 pontos. O dia foi marcado por baixa liquidez e oscilações pontuais, com o mercado em compasso de espera pelas decisões dos bancos centrais.
Entre os destaques positivos, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 1,65%, fechando a R$ 30,15, acompanhando a recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional.
Os papéis ordinários (PETR3) também avançaram 1,57%. A valorização foi impulsionada pela alta expressiva dos contratos futuros de petróleo, após a queda mais forte vista na véspera .
Além da Petrobras, as ações da TIM (TIMS3) subiram 6,77% após reportar crescimento de 56% no lucro do primeiro trimestre. Também avançou BBAS3 (+1,4%), amparada pela expectativa de resultados consistentes.
Na ponta negativa, Pão de Açúcar (PCAR3) despencou 20,21% após prejuízo de R$ 169 milhões e frustração com a governança corporativa.
O volume negociado somou R$ 22,1 bilhões, abaixo da média dos últimos dias, refletindo o tom de espera do mercado.
Dólar sobe com cautela pré-Copom e cenário externo pressionado
O dólar comercial fechou em alta de 0,37%, cotado a R$ 5,7108, após oscilar entre R$ 5,6935 e R$ 5,7374 ao longo do dia. O movimento refletiu a aversão ao risco global e a busca por proteção cambial antes da reunião do Copom.
A expectativa majoritária é de um aumento de 0,50 p.p. na Selic, o que elevaria a taxa básica para 14,75% ao ano.
Além disso, o fortalecimento do dólar no exterior, em meio à tensão entre Estados Unidos e China, reforçou a pressão sobre moedas emergentes como o real.
Wall Street recua com balanços fracos e tarifas no radar
As bolsas americanas fecharam em queda, em um movimento de realização de lucros antes da decisão do Federal Reserve e em meio à preocupação com os lucros das empresas em um ambiente de tarifas mais agressivas.
- S&P 500: -0,77% (5.606,91 pontos)
- Dow Jones: -0,95% (40.829,00 pontos)
- Nasdaq: -0,87% (17.689,66 pontos)
Entre os destaques negativos, Palantir caiu mais de 12% após projeções conservadoras para o próximo trimestre.
Já a Ford subiu 1,46%, com resultados melhores do que o esperado mesmo após anunciar impacto de US$ 1,5 bilhão com tarifas. Mattel também avançou, com alta de 2,78%, ao anunciar medidas de mitigação de custos.
Commodities: petróleo e ouro sobem com tensões comerciais e demanda
O petróleo Brent subiu 3,2% e fechou cotado a US$ 62,15 por barril, impulsionado por sinais de aumento da demanda na Europa e na China, além de uma queda pontual na produção dos Estados Unidos.
O contrato futuro do ouro com vencimento mais próximo avançou 2,36%, fechando a US$ 3.400,60 por onça-troy, impulsionado pela demanda por ativos de proteção em meio à incerteza monetária e geopolítica.
Geopolítica: China mantém tom duro, EUA evitam recuar
As relações comerciais entre China e Estados Unidos voltaram ao foco após declarações de Pequim reafirmando que não aceitará “imposições unilaterais”.
Washington, por sua vez, endureceu o discurso ao prometer manter tarifas até que haja reciprocidade nos compromissos comerciais, ampliando a tensão diplomática.
Fechamento de Mercado | 06-05 | Cautela máxima antes dos bancos centrais
O mercado encerrou essa terça-feira com o freio de mão puxado, em compasso de espera por duas decisões centrais para o rumo dos ativos de risco nos próximos meses.
A Super Quarta deve trazer definições sobre o fim do ciclo de alta da Selic e o posicionamento do Fed diante de um cenário inflacionário ainda desafiador.
Até lá, o momento pede máxima disciplina e sensibilidade aos sinais de política monetária e geopolítica global.