O fechamento de mercado desta quinta-feira (5) foi marcado por cautela nos ativos de risco, com investidores ajustando posições antes do payroll americano de maio, a ser divulgado amanhã.
O Ibovespa acompanhou o tom negativo de Wall Street e fechou em queda de 0,56%, aos 136.236,37 pontos, pressionado pela elevação dos juros futuros e por uma realização nas ações de grandes bancos.
No pano de fundo, a conversa entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping trouxe algum alívio às tensões comerciais, mas não impediu o avanço dos rendimentos dos Treasuries, em resposta a dados robustos de custo de trabalho nos EUA.
No cenário doméstico, as apostas para uma possível alta de 25 pontos-base da Selic voltaram a ganhar tração, enquanto a S&P reafirmou a nota de crédito do Brasil em “BB”, com perspectiva estável.
Ibovespa: bancos e consumo pesam e Suzano lidera ganhos
O principal índice da B3 encerrou o dia em baixa de 0,56%, aos 136.236,37 pontos, pressionado por ações ligadas ao setor financeiro e consumo, enquanto Suzano liderou os ganhos em meio à notícia de uma nova joint venture com a Kimberly-Clark.
Bradesco PN (BBDC4) caiu 2,92%, Itaú PN (ITUB4) recuou 1,22% e B3 ON (B3SA3) perdeu 2,65%, com investidores reagindo ao avanço dos juros futuros e à possibilidade de aumento de tributos sobre o setor, no âmbito das discussões do pacote fiscal.
No varejo e saúde, Hapvida ON (HAPV3) cedeu 5,92%, Cogna ON (COGN3) caiu 3,81% e Vivara ON (VIVA3) recuou 3,74%.
Na ponta positiva, Suzano ON (SUZB3) disparou 6,31% após anunciar a aquisição de 51% de uma nova empresa criada com a Kimberly-Clark, com ativos de “tissue” fora dos EUA. Minerva ON (BEEF3) subiu 4,90% e Gerdau PN (GGBR4) avançou 3,47%.
Juros futuros sobem com Treasuries e Copom no radar
A curva de juros voltou a ganhar inclinação, com alta de até 20 pontos-base nos vértices longos, refletindo a pressão dos Treasuries americanos, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a reprecificação de apostas para o Copom de junho.
No leilão do Tesouro Nacional, foram absorvidos 16,45 milhões de LTNs (abaixo da oferta de 18 milhões) e o lote completo de 2 milhões de NTN-Fs.
O mercado elevou para 60% a probabilidade de alta da Selic já na próxima reunião, diante da combinação de inflação persistente, atividade firme e incerteza fiscal.
Wall Street: índices caem à espera do payroll, com Tesla em foco
Em Nova York, os três principais índices acionários encerraram o pregão em queda, refletindo a cautela com o relatório de emprego dos EUA e a elevação dos custos de trabalho no primeiro trimestre.
- Dow Jones: -0,25% (42.319,72 pontos)
- S&P 500: -0,53% (5.939,30 pontos)
- Nasdaq: -0,83% (19.298,45 pontos)
O destaque negativo foi a Tesla, que despencou 14,3% após o presidente Trump criticar publicamente os subsídios federais à empresa, ampliando os ruídos com Elon Musk.
PVH (-17,9%) também recuou com alerta de impacto das tarifas. Em contrapartida, a Circle (+168%) e Planet Labs (+49,2%) tiveram estreias positivas no mercado.
A curva de juros americana também se inverteu. A T-note de 2 anos subiu para 3,929%, enquanto a de 10 anos avançou a 4,395%. O mercado agora projeta um aumento de 130 mil vagas em maio e manutenção da taxa de desemprego em 4,2%.
Câmbio: dólar recua com fluxo comercial e alívio externo
O dólar à vista fechou em queda, cotado a R$ 5,58, com o real figurando entre as moedas com melhor desempenho do dia. A valorização foi sustentada pelo ingresso de recursos comerciais e maior apetite por risco externo.
No exterior, o índice DXY recuou 0,07%, aos 98,7 pontos, enquanto o euro ganhou força frente à moeda americana após o corte de 0,25 ponto percentual nos juros do Banco Central Europeu (BCE).
Commodities: petróleo avança, minério recua
O petróleo Brent para agosto subiu 0,71%, a US$ 65,32 por barril, apoiado pela sinalização de reabertura das negociações comerciais entre Estados Unidos e China após conversa entre Trump e Xi Jinping.
O minério de ferro, por sua vez, recuou 0,14% na bolsa de Dalian.
Fechamento de Mercado | 05-06 | Cautela antes do payroll e fiscal no radar pressionam Ibovespa
Com o payroll americano no centro das atenções nesta sexta-feira, o dado pode recalibrar apostas sobre a política monetária dos EUA e impactar diretamente os vértices da curva de juros local.
No Brasil, o mercado acompanha a expectativa em torno da reunião entre o ministro Fernando Haddad e líderes do Congresso no domingo, que deve tratar da composição do novo pacote fiscal.
Investidores monitoram possíveis desdobramentos sobre carga tributária e impactos nas projeções de endividamento.