Pular para o conteúdo

Fechamento de Mercado Hoje: 05 de maio de 2025

A semana começou com forte aversão ao risco nos mercados globais, em meio à intensificação das tensões comerciais entre China e Estados Unidos, expectativa com as decisões de política monetária no Brasil e no exterior, e queda expressiva nos preços das commodities.

No Brasil, o Ibovespa teve uma sessão de perdas relevantes, com destaque negativo para ações ligadas ao petróleo e ao setor aéreo.

O dólar voltou a subir diante do fortalecimento global da moeda americana e das incertezas que antecedem o Copom.

Já nos Estados Unidos, as bolsas recuaram após sequência de ganhos, pressionadas por balanços corporativos e declarações de Donald Trump sobre o conflito comercial com a China.

Ibovespa cai com pressão de commodities e clima externo mais hostil

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, recuou 1,22%, encerrando o pregão aos 133.491,23 pontos, no menor nível desde meados de abril.

A queda reflete o mau humor do investidor frente ao cenário internacional mais adverso e à realização de lucros após uma sequência de ganhos recentes.

As ações da Petrobras (PETR4) caíram 3,73%, impactadas pela forte queda do petróleo no exterior e por mais um corte anunciado no preço do diesel, gerando preocupação com margens da estatal.

Azul (AZUL4) teve uma leve queda de 0,68%, fechando a R$1,46, em meio a dúvidas sobre sua capacidade de reestruturação financeira.

No lado positivo, Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú (ITUB4) apresentaram resiliência, sustentados pela perspectiva de juros elevados por mais tempo e expectativa por bons resultados trimestrais.

O volume financeiro somou cerca de R$21,6 bilhões, abaixo da média recente para uma segunda-feira. 

Dólar avança com busca por proteção e cautela pré-Copom

O dólar comercial subiu 0,61%, encerrando o dia cotado a R$5,6905, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior.

O movimento foi impulsionado pela busca global por segurança, enquanto investidores aguardam com cautela a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira.

A expectativa do mercado é de que o Banco Central possa promover a última alta do atual ciclo, elevando a Selic para 14,75% ao ano, o que também contribui para a volatilidade no câmbio nos próximos dias.

Wall Street fecha em queda com realização de lucros e China no radar

As bolsas americanas encerraram o dia no campo negativo, interrompendo uma sequência de nove pregões consecutivos de alta.

A cautela predominou após declarações do ex-presidente Donald Trump sobre a China e com investidores repercutindo os números da Berkshire Hathaway:

  • S&P 500: -0,6% (5.650,38 pontos)
  • Dow Jones: -0,2% (41.218,83 pontos)
  • Nasdaq: -0,7% (17.844,24 pontos)

As ações da Berkshire Hathaway recuaram 6,4% após a empresa divulgar queda de 14% no lucro do primeiro trimestre e confirmar que Warren Buffett deixará o comando até o final de 2025, o que adicionou incertezas sobre a sucessão e direção futura da holding.

Destaques corporativos: Azul recua, Petrobras pressiona Ibovespa

Entre os destaques negativos, Azul (AZUL4) recuou 0,68%, acumulando perdas significativas em 2025, em meio à desconfiança do mercado com a sua capacidade de rolar dívidas e melhorar sua estrutura de capital.

Petrobras (PETR4) recuou 3,73%, impactada por novo corte no preço do diesel e pela queda no petróleo, enquanto Magazine Luiza (MGLU3) caiu 2,1%, com o setor de varejo pressionado pela curva de juros mais inclinada.

No lado positivo, ações como BBAS3, ITUB4 e CPLE6 se mantiveram em território positivo, beneficiadas pela expectativa de resultados sólidos no primeiro trimestre e menor exposição ao câmbio e commodities.

Juros e Treasuries: curva abre antes de Copom e Fed

No Brasil, a curva de juros futuros abriu em todos os vértices. O contrato de DI para janeiro de 2026 avançou para 14,78%, refletindo a expectativa de que o Copom poderá adotar uma última alta e manter a taxa Selic elevada por um período prolongado.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos subiram para 4,68% ao ano, com o mercado monitorando de perto os próximos sinais do Federal Reserve, cuja decisão está marcada para esta quarta-feira.

Commodities: petróleo cai mais de US$ 1 com aumento da oferta, ouro sobe com aversão ao risco

O petróleo Brent caiu US$ 1,06, ou 1,7%, sendo negociado a US$ 60,23 o barril, após a Opep+ anunciar um aumento na produção de mais de 400 mil barris por dia a partir de junho. 

A medida surpreendeu parte do mercado e reacendeu preocupações com um possível excesso de oferta no curto prazo.

Além disso, a fraqueza da demanda chinesa e os sinais de desaceleração da atividade industrial pressionaram ainda mais as cotações.

O ouro, por sua vez, avançou 3,09%, fechando cotado a US$ 3.343,60 por onça-troy, com investidores buscando proteção diante das incertezas macroeconômicas e da expectativa em torno das decisões de juros nos EUA e no Brasil.

Geopolítica: China sinaliza abertura a negociações, mas impõe condições

As tensões comerciais entre Estados Unidos e China voltaram ao centro das atenções após Donald Trump declarar que “a China deseja um acordo comercial muito urgentemente”.

Em resposta, autoridades chinesas disseram que estariam abertas ao diálogo, desde que os EUA suspendam tarifas unilaterais — o que ainda não foi confirmado pela Casa Branca.

O impasse, embora sinalize alguma disposição de negociação, continua sendo um dos principais fatores de instabilidade para os mercados.

Fechamento de Mercado | 05-05 | Dia tenso e de transição à espera dos BCs

O mercado iniciou a semana em tom defensivo, com os investidores ajustando posições diante de uma semana crucial para a política monetária global.

No Brasil, o Copom deve sinalizar o fim do ciclo de alta da Selic, enquanto nos EUA, o Federal Reserve pode reforçar o discurso de manutenção dos juros elevados por mais tempo.

Até lá, o cenário permanece instável e sujeito a eventos macroeconômicos e geopolíticos, exigindo atenção redobrada e disciplina na alocação de risco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *