Os mercados abrem hoje embalados pela decisão da Justiça americana de bloquear, de forma definitiva, o tarifaço global imposto por Donald Trump, medida que reacende o apetite por risco em um ambiente até então pressionado por incertezas comerciais.
O alívio externo é reforçado pelo resultado acima do esperado da Nvidia, que reportou lucro bilionário e crescimento expressivo nas divisões de data center e IA, sustentando o bom humor nas bolsas globais.
Por aqui, o foco se divide entre a melhora do mercado de trabalho, com a criação de mais de 257 mil vagas formais em abril, os ruídos fiscais em torno do IOF e a estreia da Azul no processo de recuperação judicial nos EUA.
O ambiente político segue tenso, com rumores de troca no comando da Fazenda e expectativa de ampliação do bloqueio orçamentário.
Nos EUA, investidores monitoram a leitura revisada do PIB do 1º trimestre, dados do mercado de trabalho e os discursos de dirigentes do Fed, em meio a sinais divergentes sobre inflação e atividade.
A agenda é carregada, e a reação à decisão judicial contra as tarifas tende a marcar o ritmo dos negócios ao longo do dia.
Brasil: Caged em alta, tensão fiscal persiste e Azul inicia processo nos EUA
O dado mais aguardado da agenda doméstica foi divulgado. O Brasil gerou 257.528 empregos formais em abril, segundo o Novo Caged. No acumulado do ano, já são 922 mil novas vagas.
O resultado vem na sequência do IPCA-15 abaixo do esperado, sinalizando tração moderada na atividade.
No ambiente político, crescem as pressões sobre Fernando Haddad, com o PT defendendo, nos bastidores, sua substituição por Aloizio Mercadante.
Enquanto isso, o governo articula ampliar a contenção de despesas de R$ 31,3 bilhões para R$ 33 bilhões, após recuar parcialmente no aumento do IOF. A Fazenda também pretende resgatar R$ 1,4 bilhão de fundos garantidores para compensar a perda de arrecadação.
A Azul (AZUL4) confirmou o pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, sob o Capítulo 11. Hoje ocorre a primeira audiência. A empresa foi excluída dos principais índices da B3, e seus papéis encerraram o pregão anterior com queda de 3,74%, cotados a R$ 1,03.
No noticiário corporativo, destaque também para a resistência do Cade à fusão entre Petz e Cobasi e para a ofensiva do Santander no segmento de alta renda na América Latina.
Mercados globais: tarifas suspensas e Nvidia surpreende, bolsas sobem
Nos EUA, os índices futuros operam em alta após decisão do Tribunal de Comércio Internacional que suspendeu permanentemente as tarifas “recíprocas” impostas por Trump, incluindo medidas voltadas à China, Canadá e México.
A decisão foi considerada um golpe à política comercial do republicano e abriu espaço para reprecificação de ativos globais.
O mercado ainda repercute os números da Nvidia, que reportou lucro líquido de US$ 18,8 bilhões no 1º trimestre fiscal, alta de 26% na comparação anual.
A divisão de data centers saltou 73%, somando US$ 39,1 bilhões em receita. As ações subiram mais de 5% no after market. A HP, por outro lado, recuou cerca de 8% após revisar para baixo sua projeção de lucro.
Na Europa, os mercados operam em alta, o Stoxx 600 avançava 0,36%, aos 550,92 pontos, com investidores reagindo à decisão judicial nos EUA e ao otimismo em torno da IA. Ações como ASML (+2,6%) e Schneider Electric (+1,7%) lideram os ganhos.
Na Ásia, a reação foi amplamente positiva. O Kospi subiu 1,89% em Seul, o Nikkei avançou 1,88% em Tóquio e o Hang Seng ganhou 1,35% em Hong Kong.
Na China, o Xangai Composto subiu 0,70%, interrompendo sequência de cinco quedas consecutivas.
Commodities e ativos: petróleo avança, minério sobe e bitcoin em alta
O petróleo opera em alta, com o WTI a US$ 62,77 (+1,50%) e o Brent a US$ 65,80 (+1,39%), com investidores de olho na próxima reunião da OPEP+.
O minério de ferro subiu 1,29% na bolsa de Dalian, a 707,00 iuanes (US$ 98,14), retomando fôlego após dias de instabilidade.
O ouro também avança, cotado a US$ 3.296,66 a onça-troy (+1,11%). O bitcoin sobe 0,91%, negociado a US$ 108.301,40.
Último pregão: Ibovespa recua com siderúrgicas, dólar avança e Azul pressiona
Na quarta-feira (28), o Ibovespa caiu 0,47%, aos 138.887 pontos, pressionado pelo desempenho das siderúrgicas, que reagiram negativamente à manutenção de tarifas de importação de aço vistas como insuficientes.
As maiores altas foram BRAV3 (+4,28%), VAMO3 (+3,75%), RECV3 (+3,40%), BEEF3 (+3,37%) e JBSS3 (+2,62%). No campo negativo, destaque para USIM5 (–4,67%), AZUL4 (–3,74%), CSNA3 (–3,67%), POMO4 (–2,97%) e VIVA3 (–2,75%).
O dólar comercial subiu 0,88%, cotado a R$ 5.6952. O IFIX avançou 0,13%, aos 3.442,87 pontos.
Em Wall Street, o clima foi de realização de lucros após os fortes ganhos da véspera. O Dow Jones caiu 0,58%, aos 42.098,70 pontos. O S&P 500 recuou 0,56%, aos 5.888,55 pontos, enquanto o Nasdaq teve baixa de 0,51%, encerrando o dia em 19.100,94 pontos.
Abertura de Mercado | 29-05 | Nvidia supera, tarifas anuladas e emprego forte no Brasil
A quinta-feira abre com os mercados em modo de recuperação, embalados por decisões judiciais nos EUA, lucros recordes no setor de tecnologia e números positivos do emprego no Brasil.
Por aqui, o cenário político e fiscal continua desafiador, enquanto a Azul escreve um novo capítulo do setor aéreo nacional sob proteção judicial americana.