A terça-feira começa com os mercados globais em alta e o Ibovespa projetando abertura positiva, em um dia marcado pelo retorno da liquidez internacional após o feriado de Memorial Day nos Estados Unidos.
Investidores operam atentos à divulgação do IPCA-15 no Brasil, aos dados de confiança do consumidor americano e à movimentação dos dirigentes do Federal Reserve, que participam de eventos públicos ao longo do dia.
Enquanto os índices futuros em Nova York reagem à agenda econômica, a melhora dos mercados europeus se sustenta em dados de consumo e no avanço do PIB alemão.
No noticiário interno, o foco se divide entre a inflação, a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, e os ruídos políticos em torno do arcabouço fiscal.
O noticiário corporativo segue movimentado, com destaque para o processo de reorganização societária do Carrefour Brasil, a queda acentuada das ações da Zamp e o novo contrato fechado pela Kepler Weber.
Brasil: foco em IPCA-15, tensão diplomática com os EUA e agenda fiscal no radar
No Brasil, o destaque desta terça é a divulgação do IPCA-15 de maio, que deve ajudar a calibrar expectativas para os juros.
No campo político, cresce a tensão entre o governo brasileiro e os Estados Unidos após declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre possível aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes.
O Itamaraty já iniciou articulações diplomáticas para conter a crise.
O Boletim Focus trouxe revisão para cima na projeção do PIB de 2025, agora estimado em 2,14%.
As expectativas para inflação e Selic foram mantidas. Já as contas externas registraram déficit de US$ 1,3 bilhão em abril, melhora frente ao mesmo período de 2024.
Na cena doméstica, o debate sobre o arcabouço fiscal ainda gera ruídos entre o Executivo e o Congresso. A liquidez segue fraca, afetada pela ausência de investidores estrangeiros no pregão da véspera.
Mercados globais: futuros em alta com alívio tarifário, Europa avança e Ásia indefinida
Os índices futuros em Nova York operam em alta, impulsionados pela sinalização de Donald Trump de que irá adiar para 9 de julho a imposição de novas tarifas sobre produtos da União Europeia.
O alívio comercial sustenta o bom humor, apesar do ambiente ainda pressionado pela elevação dos yields e pelas incertezas fiscais americanas.
No radar, estão os dados de confiança do consumidor e encomendas de bens duráveis nos EUA, além dos discursos de Neel Kashkari e John Williams, dirigentes do Federal Reserve.
Na Europa, os mercados sobem com força. O DAX renovou máxima histórica, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,99% na véspera, embalado por dados positivos do varejo no Reino Unido e do PIB alemão. O sentimento do consumidor na Alemanha também melhorou, segundo o índice GfK.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única. O Japão viu os rendimentos dos títulos de 20 anos recuarem após o Ministério das Finanças questionar participantes sobre o ritmo de emissão de dívida pública.
Em Hong Kong, ações da BYD caíram 10% em dois dias diante de novos cortes de preços no setor automotivo.
Empresas: Carrefour define último dia de negociação, Kepler fecha maior contrato e Zamp desaba
O noticiário corporativo tem como destaque a reorganização societária do Carrefour Brasil (CRFB3), que terá suas ações incorporadas pela holding Brachiosaurus 422 Participações. A próxima quinta-feira (30) será o último dia de negociação dos papeis na B3.
A Kepler Weber (KEPL3) anunciou o fechamento do maior contrato dos últimos cinco anos com a Be8, do setor de biocombustíveis. Os valores não foram divulgados.
Já a Zamp (ZAMP3), operadora do Burger King e Starbucks no Brasil, chegou a cair 10% após o Mubadala Capital, controlador da empresa, anunciar a intenção de fechar o capital via OPA.
A Petrobras (PETR4), por sua vez, segue monitorando o câmbio e o petróleo para avaliar espaço para eventual nova redução no preço dos combustíveis, segundo Magda Chambriard.
Commodities e ativos: minério cai, petróleo estável e ouro recua
O minério de ferro recua 1,76% na bolsa de Dalian, negociado a 698,50 yuanes (US$ 96,96), após sequência de ganhos.
O petróleo opera praticamente estável. O WTI sobe 0,03%, a US$ 61,55, e o Brent avança 0,11%, a US$ 64,81.
O ouro recua 1,43%, cotado a US$ 3.298,34 a onça-troy, enquanto o bitcoin segue em trajetória positiva, negociado a US$ 109.664,00 (+0,54%).
Último pregão: Ibovespa sobe com volume fraco, dólar avança e IFIX recua
Na segunda-feira (26), o Ibovespa subiu 0,23% e fechou aos 138.136 pontos.
O volume de negociação foi de R$ 10,7 bilhões, o menor desde fevereiro de 2021, refletindo o feriado nos EUA e a ausência de fluxo estrangeiro.
Entre as maiores altas estiveram ASAI3 (+5,97%), AZUL4 (+4,81%), BRKM5 (+4,15%), VIVA3 (+3,94%) e IRBR3 (+3,27%).
As maiores quedas ficaram com RAIZ4 (–7,94%), JBSS3 (–3,63%), PETZ3 (–3,13%), YDUQ3 (–2,70%) e BEEF3 (–2,51%).
O dólar comercial avançou 0,51%, a R$ 5,6757. O IFIX caiu 0,12%, aos 3.436,16 pontos.
Abertura de Mercado | 27-05 | IPCA-15, crise diplomática e alívio externo no radar
O mercado abre a terça-feira entre o alívio trazido pelo cenário internacional e a cautela que persiste no ambiente doméstico.
Enquanto o exterior reage à trégua nas tensões comerciais, o investidor local ainda opera com atenção redobrada ao IPCA-15, à crise institucional com os EUA e à baixa liquidez, à espera de sinais mais firmes no campo fiscal e político.