A sexta-feira começa com boas notícias para os mercados: o governo federal voltou atrás e revogou o aumento do IOF sobre fundos brasileiros no exterior, aliviando parte da tensão que vinha pressionando os ativos locais. A decisão foi tomada após repercussão negativa no mercado.
Lá fora, os investidores ainda digerem os efeitos do pacote tributário aprovado pela Câmara dos EUA, que combina corte de impostos com aumento de gastos, em meio ao recente rebaixamento da nota de crédito americana.
Os futuros operam em alta moderada, mas a cautela persiste diante da elevação dos yields e da agenda carregada de dados econômicos e discursos do Fed.
No campo corporativo, a atenção se volta à assembleia de acionistas da JBS, que pode definir os rumos da proposta de dupla listagem da companhia nos Estados Unidos.
O petróleo recua com expectativas de maior oferta da OPEP+, o Bitcoin testa nova máxima histórica e o minério devolve parte dos ganhos recentes na China.
Brasil: IOF revogado, bloqueio fiscal confirmado e tensão com setor avícola
No Brasil, o Ministério da Fazenda revogou o aumento do IOF sobre fundos brasileiros no exterior, após forte reação negativa do mercado.
A alíquota de 3,5% anunciada na véspera foi cancelada, mantendo a isenção para esse tipo de operação. Outras mudanças seguem válidas, com expectativa de arrecadar R$ 20,5 bilhões em 2025.
Além disso, o governo confirmou o bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento de 2025 para manter a meta de déficit primário zero. O ajuste foi necessário após aumento de R$ 16,7 bilhões em gastos com benefícios previdenciários.
A agenda econômica inclui a prévia do IPC-S de maio, dados de crédito e falas do presidente do BC em evento fechado.
No setor agro, o mercado acompanha o impacto das suspensões de importação de carne de frango após foco de gripe aviária no RS. Estimativas apontam perdas de até R$ 3,8 bilhões em três meses, com exportações sob risco.
Empresas: assembleia da JBS em foco e aquisições seguem firmes
No noticiário corporativo, os investidores acompanham a assembleia da JBS (JBSS3), que decidirá sobre a proposta de dupla listagem das ações nos EUA.
Uma contagem parcial divulgada ontem indica oposição ligeiramente majoritária à operação, embora a definição ainda dependa de votos pendentes.
Mercados globais: futuros em alta e Europa avança com dados de consumo
Em Nova York, os índices futuros operam em alta moderada, apesar do cenário ainda pressionado por incertezas fiscais.
A semana caminha para ser a pior em mais de um mês, reflexo do rebaixamento da nota de crédito dos EUA pela Moody’s e da elevação dos yields dos Treasuries, o título de 30 anos voltou a operar acima de 5%, atingindo pico de 19 meses.
O mercado aguarda hoje dados de vendas de moradias novas, discursos de dirigentes do Fed e o fechamento antecipado do mercado de renda fixa às 15h (horário de Brasília), por conta do feriado de Memorial Day na segunda-feira.
Na Europa, as bolsas sobem, impulsionadas por dados positivos do varejo no Reino Unido, que cresceu 1,2% em abril ante expectativa de 0,2%. O PIB alemão avançou 0,4% no 1º trimestre, superando previsões e a média da zona do euro.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, com investidores digerindo os sinais de aproximação diplomática entre EUA e China.
A inflação do Japão atingiu 3,5% em abril, maior nível em mais de dois anos, elevando apostas em nova alta de juros pelo BoJ ainda em 2025.
Commodities e ativos: petróleo em baixa, ouro avança e Bitcoin testa recorde
O petróleo recua com força, pressionado pela valorização do dólar e pela possibilidade de aumento de produção pela OPEP+. O WTI é negociado a US$ 60,76 (–0,72%) e o Brent a US$ 64,01 (–0,68%).
O minério de ferro recua 1,24% na bolsa de Dalian, a 718 iuanes (US$ 99,66), interrompendo a sequência de ganhos.
O ouro sobe 0,83%, negociado a US$ 3.327,49 a onça-troy, com busca por proteção.
Já o Bitcoin bateu novo recorde nominal, cotado a US$ 110.889,00.
Último pregão: Ibovespa recua com fiscal e IOF, dólar sobe e XP sustenta agenda positiva
Na quinta-feira (22), o Ibovespa caiu 0,44%, aos 137.272 pontos, pressionado pela tensão fiscal e incertezas em torno do aumento do IOF.
A XP chamou atenção ao registrar lucro recorde de R$ 1,236 bilhão no 1T25. A Gol (GOLL4) avançou mais 4,35%, após a aprovação judicial de seu plano de recuperação.
Entre as maiores altas, destaque para RAIZ4 (+12,36%), ASAI3 (+5,46%), AZUL4 (+4,90%), GOLL4 (+4,35%) e CASH3 (+4,34%). No campo negativo, AMOB3 (–3,85%), BRAP4 (–3,24%), PCAR3 (–3,23%), VAMO3 (–3,19%) e BRAV3 (–2,47%).
O dólar comercial subiu 0,35%, a R$ 5,6610. O IFIX avançou 0,02%, aos 3.436,24 pontos.
Em Wall Street, os índices fecharam de forma mista. O Dow Jones encerrou o dia estável, aos 41.859,09 pontos. O S&P 500 recuou 0,04%, aos 5.842,01 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 0,28%, aos 18.925,74 pontos.
Abertura de Mercado | 23-05 | Alívio com IOF, tensão fiscal e JBS no centro das atenções
A sexta-feira começa com os mercados em compasso de espera, entre o alívio trazido pela revogação parcial do IOF e a manutenção de um ambiente fiscal pressionado, tanto no Brasil quanto nos EUA.
No radar, a assembleia decisiva da JBS, indicadores nos Estados Unidos e a instabilidade nas commodities devem ditar o ritmo dos negócios.