A sexta-feira começa com viés de cautela nos mercados globais, enquanto investidores digerem sinais de desaceleração econômica nos Estados Unidos e acompanham os desdobramentos fiscais no Brasil.
Por aqui, a expectativa recai sobre possíveis bloqueios orçamentários e medidas de ajuste em discussão no governo.
No cenário internacional, dados mais fracos de produção e consumo pesam no sentimento, apesar do alívio parcial com as tarifas.
Em Nova York, os principais índices encerraram o último pregão em tom misto, com Nasdaq em queda, S&P 500 e Dow Jones em leve alta.
Já o Ibovespa renovou sua máxima no último pregão, apoiado por varejo, fusões no setor de alimentos e fluxo estrangeiro, mesmo diante da alta do dólar e da pressão na curva de juros.
Mercados globais: alta nos EUA, Europa positiva e Ásia sem direção única
Em Nova York, os índices futuros operam em alta, com investidores ponderando os impactos do recente alívio tarifário entre EUA e China frente aos novos sinais de enfraquecimento da economia americana.
Dados divulgados nesta manhã mostram queda de 0,4% nos preços de importados em abril e sentimento do consumidor preliminar de maio em 53,4, abaixo do esperado.
As vendas no varejo perderam força, a produção industrial recuou pela primeira vez em seis meses e a atividade manufatureira em Nova York voltou a se contrair. Ainda hoje, estão previstos discursos de Tom Barkin e Mary Daly, dirigentes do Federal Reserve.
Na Europa, os mercados operam em terreno positivo, com o Stoxx 600 caminhando para a quinta semana consecutiva de ganhos, apoiado por uma temporada de balanços acima do esperado e pelo arrefecimento nas tensões comerciais.
Martins Kazaks, membro do BCE, afirmou que os juros estão próximos do nível terminal, desde que a inflação permaneça controlada.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos após o PIB do Japão recuar 0,2% no 1º trimestre, puxado por exportações mais fracas diante do impasse tarifário com os EUA.
O Nikkei encerrou estável aos 37.753,72 pontos, enquanto o Hang Seng caiu 0,46%, o Kospi avançou 0,21% e o Taiex subiu 0,52%.
Brasil: foco em risco fiscal e fim da temporada de balanços
No Brasil, o dia é de atenção redobrada ao risco fiscal, após rumores sobre novos gastos sociais e declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicando que medidas para reforçar a arrecadação e controlar despesas estão sendo estudadas. O ministro negou que se trate de um “pacote fiscal” e afirmou que as ações são pontuais.
A equipe econômica informou que um possível bloqueio de até R$ 20 bilhões no orçamento pode ser anunciado no dia 22, junto com o relatório bimestral de receitas e despesas, como parte do cumprimento da meta fiscal.
Empresas: fusão entre BRF e Marfrig, resultados de BB e Cyrela
No noticiário corporativo, a fusão entre Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3) cria a MBRF Global Foods, com receita combinada de R$ 152 bilhões. A operação envolve pagamento de R$ 6,02 bilhões em dividendos e consolida a nova companhia como gigante global do setor de proteínas.
O Banco do Brasil (BBAS3) reportou lucro ajustado de R$ 7,4 bilhões no 1T25, queda de 20,7% frente ao mesmo período de 2024, impactado por mudanças contábeis e inadimplência no agro. O banco anunciou R$ 1,91 bilhão em JCP, equivalente a R$ 0,33425840109 por ação.
A Cyrela (CYRE3) lucrou R$ 328 milhões no trimestre, alta de 23%, com forte expansão nos lançamentos e nas vendas. O BNDES também apresentou lucro de R$ 5,6 bilhões, crescimento de 7,3% ano a ano, com destaque para crédito a infraestrutura e pequenas empresas.
Commodities: petróleo recua, minério corrige e ouro cai
Os preços do petróleo seguem em queda. O Brent recua 0,09%, cotado a US$ 64,47, e o WTI opera a US$ 61,57 (-0,08%), pressionados pelas expectativas de um possível acordo nuclear entre EUA e Irã, o que poderia aumentar a oferta global da commodity.
O minério de ferro caiu 0,95% na bolsa de Dalian, cotado a 728 iuanes (US$ 101,01), após dias de alta, com movimento de realização. Já o ouro recua 1,11%, a US$ 3.203,21 a onça-troy. O bitcoin opera com leve alta de 0,22%, cotado a US$ 103.298,51.
Último pregão: Ibovespa renova máxima com varejo e fusões, dólar e juros sobem
Na quinta-feira (15), o Ibovespa subiu 0,66% e encerrou aos 139.334 pontos, atingindo novo recorde nominal. O movimento foi sustentado por varejo, fusões no setor alimentício e entrada de capital estrangeiro, mesmo com o aumento da percepção de risco fiscal.
As maiores altas foram YDUQ3 (+6,82%), BRFS3 (+4,78%), VIVA3 (+4,68%), CPFE3 (+4,60%) e MRFG3 (+4,34%). Entre as baixas, destaque para CVCB3 (-6,72%), AZUL4 (-5,00%), IRBR3 (-3,37%), NTCO3 (-3,27%) e ELET3 (-3,22%).
O dólar comercial avançou 0,82%, cotado a R$ 5,6788. O IFIX subiu 0,50%, aos 3.422,90 pontos.
Em Wall Street, o Nasdaq caiu 0,18%, o S&P 500 avançou 0,41% e o Dow Jones teve alta de 0,65%.
Abertura de Mercado | 16-05 | Alívio global divide espaço com tensão fiscal, BB, BRF e petróleo no foco
A sexta-feira começa com investidores monitorando o equilíbrio delicado entre o otimismo moderado no exterior e o avanço das incertezas fiscais no Brasil.
No radar, fusões relevantes, discursos do Fed e o risco de bloqueio orçamentário que pode redefinir o rumo dos ativos locais nas próximas sessões.