A quinta-feira começa com viés mais cauteloso nos mercados globais, em meio à expectativa por dados econômicos nos Estados Unidos, falas do presidente do Federal Reserve e forte correção nos preços das commodities, especialmente petróleo.
No Brasil, os investidores acompanham os dados de vendas no varejo de março, o fim da temporada de balanços do 1º trimestre e os desdobramentos fiscais, após nova sinalização do Ministério da Fazenda sobre bloqueios orçamentários.
Em Wall Street, os futuros operam em queda: Nasdaq recua 0,72%, S&P 500 perde 0,52% e Dow Jones cai 0,33%, com atenção voltada ao PPI, vendas no varejo, produção industrial e ao discurso de Jerome Powell.
Na Europa, os índices operam no vermelho, e na Ásia o movimento também foi de baixa generalizada.
Powell discursa, dados calibram apostas e Boeing fecha megacontrato com Catar
O presidente do Fed, Jerome Powell, fala nesta manhã na Thomas Laubach Research Conference, em Washington. Apesar do alívio recente com o CPI, o mercado não espera mudança significativa no tom, Powell já afirmou que o impacto das tarifas de Trump ainda não foi sentido, e que não há pressa para alterar a política monetária.
O dia também reserva dados importantes: às 9h30, saem os números do PPI de abril, as vendas no varejo e os pedidos de auxílio-desemprego.
Às 10h15, será divulgada a produção industrial. Segundo a LSEG, o mercado precifica 54 pontos-base de cortes até o fim de 2025, com probabilidade crescente de início em setembro.
Além disso, os EUA assinaram na quarta-feira (14) um acordo de US$ 200 bilhões com o Catar para a venda de 160 jatos da Boeing à Qatar Airways.
A assinatura aconteceu em Doha, com a presença do presidente Donald Trump, do emir Tamim bin Hamad Al Thani e da CEO da Boeing, Kelly Ortberg. “O acordo é o maior da história”, afirmou Trump durante a cerimônia.
A notícia impulsiona o setor aeroespacial e pode trazer reflexos positivos para a indústria americana ao longo dos próximos trimestres.
Brasil: vendas no varejo, balanços e alerta fiscal em destaque
No Brasil, o mercado monitora os dados de vendas no varejo de março, divulgados às 9h, além do fim da temporada de resultados do 1º trimestre.
A Eletrobras (ELET3) registrou prejuízo líquido de R$ 354 milhões no 1T25, revertendo lucro de R$ 331 milhões no mesmo período do ano passado. As ADRs da companhia caíram 1,69% no after-market em Nova York.
Já a Americanas (AMER3) reportou prejuízo de R$ 496 milhões, com queda de 17,4% na receita líquida, para R$ 3,1 bilhões.
Outras empresas com números no radar incluem Gol, BRF, Marfrig, Cyrela, EZTec, Simpar e CPFL Energia.
No campo fiscal, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou que haverá bloqueio de recursos orçamentários em 2025, com anúncio detalhado previsto para o dia 22 de maio.
O objetivo é garantir a manutenção da meta fiscal diante do avanço das despesas obrigatórias.
Commodities: petróleo afunda com Irã no radar; minério sobe
O petróleo recua com força após novas falas de Donald Trump, indicando que os EUA estão “muito próximos” de um acordo nuclear com o Irã.
O Brent cai 3,36%, a US$ 63,89, e o WTI recua 3,50%, a US$ 60,94. A possibilidade de aumento da oferta global pressiona os preços e eleva a aversão a risco em setores ligados à energia.
Na outra ponta, o minério de ferro subiu 1% na China, refletindo expectativas de retomada de estoques e suporte à demanda. O ouro recua 0,74%, cotado a US$ 3.230,71 a onça-troy.
Último pregão: Ibovespa cai, dólar sobe e commodities pressionam
Na quarta-feira (14), o Ibovespa recuou 0,39% e encerrou aos 138.422,84 pontos. O dólar comercial subiu 0,43%, cotado a R$ 5,6327. O IFIX teve leve alta de 0,15%, aos 3.411,75 pontos.
As maiores altas do pregão foram NTCO3 (+7,10%), IRBR3 (+6,42%) e PSSA3 (+4,54%). As quedas foram lideradas por AZUL4 (-16,08%), RADL3 (-6,30%) e VAMO3 (-6,22%).
Na curva de juros, as taxas futuras fecharam em alta: o DI para jan/26 avançou para 14,820% (+0,040 pp) e o DI para jan/31 subiu para 13,880% (+0,190 pp).
Em Nova York, o Nasdaq avançou 0,72% e fechou aos 19.146,81 pontos, com impulso das ações de tecnologia.
O S&P 500 teve leve alta de 0,10%, aos 5.892,58 pontos, enquanto o Dow Jones recuou 0,21%, aos 42.051,06 pontos, pressionado pelo desempenho negativo do setor de saúde.
No radar: Powell, PPI, varejo, petróleo e reta final dos balanços
A agenda desta quinta é decisiva para calibrar o humor dos mercados. A fala de Powell, combinada aos dados econômicos nos EUA, deve balizar as apostas sobre o ritmo de cortes de juros no segundo semestre.
No Brasil, o investidor seguirá atento aos dados de atividade, aos balanços corporativos e aos primeiros sinais mais concretos sobre a execução orçamentária federal.
Abertura de Mercado | 15-05 | Powell e petróleo travam mercado, foco em Eletrobras e varejo
Com agenda cheia nos EUA e tensão nas commodities, os mercados iniciam o dia em compasso de espera.
A fala de Powell pode frustrar as apostas de corte precoce nos juros, enquanto o Brasil encara uma reta final de resultados corporativos em meio a um cenário fiscal que volta a preocupar.