Os mercados iniciam a segunda-feira atentos a uma semana carregada de eventos relevantes e potenciais gatilhos para ativos de risco.
A expectativa em torno da “Super Quarta”, que trará decisões de juros tanto do Federal Reserve quanto do Copom, divide espaço com a reaproximação entre Estados Unidos e China, após semanas de tensão comercial.
No pano de fundo, os futuros de Nova York operam em queda, refletindo incertezas sobre o impacto das novas tarifas americanas e a ausência de sinais mais claros sobre a trajetória dos juros.
No Brasil, o foco se volta para a agenda de balanços, para o comportamento do câmbio e, principalmente, para a decisão do Banco Central, em meio a pressões fiscais e inflação persistente.
O mercado de commodities mostra comportamento misto, com o ouro em forte alta, petróleo recuando e o minério de ferro pressionado por dados fracos da China.
EUA e China retomam negociações comerciais em semana decisiva para o Fed
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que busca um “acordo comercial justo” com a China e que as negociações entre os dois paÃses estão em andamento.
Embora não tenha fornecido detalhes, Trump indicou que um acordo pode ser anunciado ainda esta semana.
A retomada das conversas ocorre após um perÃodo de escalada tarifária entre as duas maiores economias do mundo, que gerou volatilidade nos mercados globais.
O tema comercial, no entanto, divide a atenção dos investidores com a polÃtica monetária. O Federal Reserve inicia sua reunião nesta terça-feira, com a decisão sendo anunciada na quarta-feira.
A expectativa é de manutenção dos juros no intervalo entre 4,25% e 4,50%, mas o mercado estará especialmente atento ao comunicado e à entrevista de Jerome Powell.
Ibovespa opera com cautela à espera do Copom e novos balanços
No cenário doméstico, o Ibovespa encerrou a última sexta-feira com leve alta de 0,05%, aos 135.133,88 pontos, acumulando ganho semanal de 0,29% e marcando a quarta semana consecutiva de valorização.
O dólar comercial fechou em baixa de 0,36%, cotado a R$ 5,6561, refletindo um dia de menor liquidez devido ao feriado do Dia do Trabalhador na véspera.
A semana promete ser movimentada com a continuidade da temporada de resultados do primeiro trimestre. Nesta segunda-feira, estão previstos balanços de empresas como Taesa (TAEE11), Magazine Luiza (MGLU3) e Cemig (CMIG4).
Além disso, o grande destaque é a reunião do Copom, que termina na quarta-feira. A maioria dos economistas projetam um aumento de 0,50 ponto percentual na Selic, o que levaria a taxa básica para 14,75% ao ano.
O Banco Central tem reforçado o discurso de prudência, diante de uma inflação resistente e sinais de deterioração fiscal. O comunicado da decisão será crucial para entender se este será o último ajuste do ciclo.
Estados Unidos: Futuros em queda e destaque para ações de tecnologia e entretenimento
Nos Estados Unidos, os Ãndices futuros operam em baixa nesta manhã:
- S&P 500: queda de 0,79%
- Nasdaq 100: recuo de 0,96%
- Dow Jones: baixa de 0,65%
A queda nos futuros reflete a cautela dos investidores diante da imposição de uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora dos EUA, anunciada pelo presidente Donald Trump.
A medida impacta negativamente ações de empresas de entretenimento com produção internacional, como Netflix, Amazon, Walt Disney e Warner Bros.
Entre os destaques positivos, as ações da AngloGold Ashanti sobem 5,8% no pré-mercado, beneficiadas pela alta de 2,24% nos preços do ouro.
Outras mineradoras de metais preciosos, como Alamos Gold, Pan American Silver e Kinross Gold, também registram ganhos superiores a 3%.
Por outro lado, empresas como Guardant Health e Principal Financial Group apresentam quedas de 5,1% e 4,7%, respectivamente, após divulgação de resultados trimestrais abaixo do esperado.
Commodities: Ouro em alta, petróleo recua e minério de ferro sob pressão
O mercado de commodities apresenta movimentos distintos nesta segunda-feira:
- Ouro: O metal precioso registra alta de 2,41%, cotado a US$ 3.309,70 por onça-troy, impulsionado pela fraqueza do dólar americano e pela busca por ativos de segurança diante das incertezas econômicas globais.
- Petróleo: Os preços do petróleo recuam, com o Brent caindo 1,22% para US$ 60,70 por barril e o WTI recuando 1,54% para US$ 57,49 por barril. A queda reflete preocupações com a demanda global e o aumento dos estoques nos EUA.Â
- Minério de ferro: Os preços do minério de ferro permanecem sob pressão, cotados a US$ 98,19 por tonelada, devido à demanda mais fraca da China e ao aumento da oferta global.Â
Abertura de Mercado | 05-05 | Fed, Copom, balanços e EUA-China no centro
A semana começa com o mercado ajustando posições à espera das decisões do Fed e do Copom, em meio ao noticiário fiscal no Brasil, nova rodada de balanços e reaproximação entre Estados Unidos e China.
O foco permanece na quarta-feira, mas os movimentos de hoje já começam a precificar o tom que deve dominar os próximos dias.