A terça-feira começa com os mercados globais pressionados pela reativação das tensões comerciais entre Estados Unidos e China e expectativa elevada em torno de dados econômicos e falas de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia.
No Brasil, os investidores repercutem o corte da gasolina pela Petrobras, o dado de produção industrial e o desdobramento da agenda fiscal, em meio ao maior bloqueio orçamentário dos últimos cinco anos e à persistência do impasse sobre o IOF.
A queda do dólar no último pregão e a expectativa de estímulos na China ajudam a suavizar o ambiente, ainda que o foco principal permaneça na instabilidade externa.
Brasil: corte na gasolina, produção industrial e bloqueio fiscal seguem no radar
A Petrobras reduziu em 5,6% o preço da gasolina nas refinarias, em sua primeira queda em mais de 20 meses.
O corte, que passa a valer nesta terça-feira (3), pode resultar em redução de até R$ 0,12 por litro nas bombas, com impacto direto sobre o IPCA.
O mercado monitora também os números da produção industrial de abril, que serão divulgados pelo IBGE às 9h. O dado será observado em meio à desaceleração da atividade registrada em setores como construção e indústria de transformação.
Na política fiscal, o bloqueio de R$ 31,3 bilhões no Orçamento continua sendo o centro da discussão. Trata-se da maior contenção de despesas desde 2020, atingindo principalmente os ministérios das Cidades, da Defesa e da Saúde.
Enquanto isso, a elevação do IOF sobre crédito e remessas ainda repercute. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ontem que o imposto “não deve ser arrecadatório”, reforçando que o impacto será analisado com cautela nas projeções da autoridade monetária.
Empresas: Petz e Cobasi têm fusão aprovada, Gol sobe e correios registram prejuízo
A fusão entre Petz e Cobasi foi aprovada sem restrições pelo Cade. A Petz será incorporada e se tornará subsidiária integral da Cobasi, com acionistas da Petz ficando com 52,6% da nova empresa.
A Gol (GOLL4) segue em alta, após avanço no plano de saída do Chapter 11. A empresa estima alcançar US$ 900 milhões em liquidez e alavancagem de 5,4x após a reestruturação.
Os Correios registraram prejuízo de R$ 1,7 bilhão no 1º trimestre, em meio à perda de competitividade para o setor privado e elevação de custos operacionais.
Exterior: PMI fraco na China reacende apostas em estímulos, EUA e UE mantém pressão comercial
No exterior, o mercado amanhece em compasso de espera pela divulgação do relatório JOLTS de vagas de emprego nos EUA (11h), além de falas de membros do Fed como Austan Goolsbee, Lisa Cook e Lorie Logan ao longo do dia.
Os índices futuros em Nova York operam em baixa, com investidores ponderando o risco de desaceleração global e os efeitos da nova ofensiva comercial do presidente Donald Trump, que pretende dobrar tarifas sobre aço e alumínio.
Na Europa, o clima é de cautela antes da leitura preliminar da inflação de maio e da decisão de juros do BCE, esperada para quinta-feira.
A estimativa é de uma desaceleração do CPI para 2%, o que reforça a expectativa de corte de 25 pontos-base.
Na Ásia, o PMI industrial da China caiu para 48,3 em maio, sinalizando contração da atividade pela primeira vez em oito meses.
O dado fraco reacendeu apostas de novos estímulos por parte de Pequim, o que sustentou ganhos em mercados como Hong Kong (+1,53%) e Taiwan (+0,59%).
O Xangai Composto subiu 0,43%, enquanto o Nikkei recuou 0,06%. A Coreia do Sul esteve fechada por eleição.
Commodities: petróleo avança com risco geopolítico, minério recua e ouro corrige
O petróleo opera em alta, com o WTI cotado a US$ 62,98 (+0,74%) e o Brent a US$ 65,03 (+0,62%), apoiados por cortes de produção no Canadá e o risco de colapso no acordo nuclear entre EUA e Irã.
O ouro recua 0,83%, negociado a US$ 3.358,08 a onça-troy, devolvendo parte dos ganhos recentes. O bitcoin sobe 0,49%, a US$ 105.625,14.
O minério de ferro caiu 1,14% em Dalian, cotado a 695,50 iuanes (US$ 96,54), com o mercado reagindo aos dados fracos da indústria chinesa.
Último pregão: Ibovespa recua, dólar cai e Gerdau dispara com tarifas
Na segunda-feira (2), o Ibovespa caiu 0,18%, aos 136.786 pontos, com volume financeiro de R$ 20,8 bilhões.
As ações da Gerdau lideraram os ganhos, com GOAU4 (+5,14%) e GGBR4 (+5,05%) reagindo positivamente ao anúncio de novas tarifas sobre o aço por parte dos Estados Unidos.
CVCB3 (+4,22%) e MGLU3 (+3,47%) também figuraram entre as maiores altas do dia. Na ponta negativa, os destaques ficaram com SMTO3 (–4,82%), BRKM5 (–4,36%) e RADL3 (–3,23%).
O dólar comercial recuou 0,77%, encerrando o pregão cotado a R$ 5,6757. O IFIX fechou em queda de 0,49%, aos 3.444,94 pontos.
Em Nova York, os principais índices avançaram após uma sessão volátil. O Dow Jones subiu 0,10%, aos 42.305,38 pontos, o S&P 500 teve alta de 0,40%, aos 5.935,94 pontos, e o Nasdaq avançou 0,70%, fechando aos 19.242,61 pontos.
Abertura de Mercado | 03-06 | Corte na gasolina, dados nos EUA e cautela global
O mercado abre a terça entre o alívio pontual de preços no Brasil e o desconforto com a piora do cenário internacional.
A agenda segue carregada, com indicadores industriais, dados de emprego e discursos do Fed no radar, enquanto a disputa tarifária se mantém como pano de fundo e segue influenciando a direção dos ativos globais.