Os mercados abrem a sexta-feira em compasso de espera, com os investidores à frente da divulgação do payroll americano, marcada para às 9h30.
O dado deve ajudar a medir o impacto da desaceleração observada no PIB dos Estados Unidos no primeiro trimestre, que recuou 0,3% e frustrou as expectativas de crescimento.
Na véspera, os índices de Nova York fecharam em alta, sustentados por Microsoft e Meta. Já no pré-mercado de hoje, as ações de Apple e Amazon recuam após resultados considerados abaixo do esperado.
As duas gigantes divulgaram balanços no fim da tarde de ontem, e os números reforçam preocupações com os efeitos da guerra comercial e do enfraquecimento do consumo global.
Na Europa, os índices operam em alta, com apoio das expectativas em torno de uma reaproximação entre Estados Unidos e China. Autoridades chinesas afirmaram estar avaliando uma proposta americana para retomar as negociações comerciais.
O petróleo, no entanto, recua pela terceira sessão consecutiva, com o mercado ajustando posições após o fraco desempenho dos dados industriais chineses.
Na Ásia, o movimento foi limitado pelo fechamento de bolsas em função de feriados. Em Tóquio, o Nikkei subiu 1,4%, impulsionado por empresas de tecnologia.
Brasil: retorno do feriado, fiscal fragilizado e foco no Copom
O mercado local reabre nesta sexta-feira sob o impacto da deterioração fiscal e da expectativa de alta da Selic na próxima reunião do Copom, marcada para quarta-feira. A dúvida segue em torno do tamanho do ajuste: 0,25 e 0,50 ponto porcentual.
Na quarta-feira, o Ibovespa fechou praticamente estável, com leve queda de 0,02%, aos 135.066 pontos, encerrando uma sequência de sete sessões de alta.
O dólar comercial subiu 0,83%, a R$ 5,6763, com investidores ajustando posições ao fim do mês e reagindo à aversão ao risco no exterior.
O último dado do Caged apontou desaceleração na criação de empregos em março, enquanto a PNAD mostrou aumento da taxa de desemprego para 7%.
A leitura reforça a visão de que o ciclo de aperto monetário está próximo do fim. Ainda assim, o discurso do Banco Central continua duro, o que pode manter a taxa em patamar elevado por mais tempo.
No campo fiscal, declarações do ministro Fernando Haddad voltaram a gerar ruído. Ele afirmou que o governo poderá adotar novas medidas para fortalecer o arcabouço, sem detalhar quais seriam.
A fala ocorre em meio a alertas sobre riscos de paralisia da máquina pública a partir de 2027, caso a tendência de expansão das despesas obrigatórias se mantenha. A saída de Sergio Firpo, que coordenava a agenda de revisão de gastos, acentuou o ceticismo.
Apple e Amazon decepcionam e pressionam techs no pré-mercado
Apple e Amazon divulgaram resultados abaixo das expectativas e operam em queda no pré-market desta sexta-feira.
A Apple teve receita de US$ 95 bilhões e lucro de US$ 23,6 bilhões, mas o mercado reagiu mal à queda nas vendas na China e ao impacto potencial das tarifas de Trump, que podem custar até US$ 900 milhões no próximo trimestre.
Já a Amazon lucrou US$ 4,4 bilhões, com receita de US$ 143,3 bilhões. A divisão de nuvem (AWS) perdeu ritmo, frustrando investidores e levantando dúvidas sobre a capacidade de crescimento.
Os números contrastam com o otimismo visto nos balanços de Microsoft e Meta, e aumentam a cautela no setor de tecnologia antes da divulgação do payroll nos EUA.
Estados Unidos: payroll deve ditar o rumo do mercado
O payroll desta sexta-feira é o principal termômetro para medir a real condição da economia americana. A contração de 0,3% do PIB no primeiro trimestre, combinada à estabilidade do núcleo do PCE, abriu espaço para apostas em corte de juros mais à frente, mas o mercado de trabalho é quem dá a última palavra.
Se o dado vier fraco, cresce a expectativa de que o ciclo de alta chegou ao fim. Caso contrário, a curva pode voltar a precificar um Fed mais duro, pressionando ativos ao longo do dia.
No campo corporativo, os balanços seguem no radar. Apple e Amazon frustraram expectativas, enquanto Microsoft e Meta animaram o mercado. Agora, os números de Chevron e Exxon vão testar o fôlego do Nasdaq e podem ajustar o tom do mercado para a próxima semana.
Abertura de Mercado | 02-05 | Payroll no centro, balanços no radar e Brasil volta do feriado
A sexta-feira concentra os principais gatilhos da semana, com payroll nos EUA, repercussão dos balanços das big techs e expectativa para os números de Chevron e Exxon. No Brasil, o retorno do feriado recoloca o Copom e o risco fiscal no centro da mesa.
O tom segue ajustado ao dado das 9h30. Até lá, o mercado opera em compasso de espera. Agenda do dia:
- 9h30: Payroll (EUA)
- 10h30: Balanços de Exxon Mobil e Chevron
- 14h30: Discursos de dirigentes do Federal Reserve